Sindicato defende curso como parte da seleção
Há anos, a formação de policiais civis no Paraná é objeto de discussão por parte do sindicato que representa a categoria. Segundo o presidente do Sindipol, Ademilson Alves Batista, a entidade está pleiteando, por meio de um projeto de lei, mudança no estatuto dos policiais civis para que a formação passe a ser requisito da seleção e não uma capacitação oferecida após a nomeação. Ele cita como exemplo a época em que ingressou na corporação, na década de 1980. "Ganhávamos uma bolsa para fazer a escola, mas poderíamos ser reprovados e nem assumir a vaga depois. Do jeito que está, como fica se o aluno mostrar na escola que não tem aptidão e for reprovado? Ele já está nomeado", salienta.
O coordenador do Núcleo de Pesquisas em Segurança Pública e Privada da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), o delegado federal Algacir Mikalovski, também defende que a capacitação policial seja feita antes da nomeação. Para ele, começar a exercer atividades da forma como vem ocorrendo no Estado é uma prática inadequada. "O regime mais adequado é o da Polícia Federal, em que há o processo seletivo na primeira fase e o curso de formação em seguida, como requisito para a nomeação", pontua ele, ao observar que na Polícia Militar os alunos só vão para a rua depois de cumprir a parte teórica. "Desempenham atividades como disciplina curricular, um estágio supervisionado. Só depois de aprovados é que são nomeados", completa.
Mikalovski sustenta ainda que este tipo de situação coloca a categoria e terceiros em risco, já que nem armamento os servidores estão aptos a receber. O despreparo do policial, inclusive, pode ser objeto de ação do próprio servidor contra o Estado em caso de incidente. "Trata-se de um problema de gestão", avalia o delegado. "Vem da dificuldade de mudar a política que dura há décadas na Secretaria de Segurança Pública, de ver com diferença as polícias Militar e Civil. Enquanto não houver reforma, isso continuará", observa.
O sociólogo Pedro Bodê, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), classifica o ingresso de servidores sem formação no quadro da Polícia Civil como "absurdo". "Esta é a palavra que melhor define esse cenário. O curso que temos hoje já é muito precário em relação a cursos de outras polícias que temos no mundo", analisa. Ele afirma que, apesar de o concurso público estar perto de expirar quando houve a contratação do restante dos aprovados, não se pode tirar a responsabilidade do Estado sobre o caso. "A população acaba sendo a mais prejudicada com tudo isso", define.
De acordo com a Polícia Civil, o aluno já empossado que vier a passar pela Escola Superior e não obtiver média ou extrapolar os 10% de faltas pode ser desligado do curso e excluído do quadro de servidores.(A.L.)





