Sindicato das funerárias nega crimes
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quinta-feira, 22 de junho de 2000
Valmir Denardin De Curitiba 
O presidente do Sindicato das Funerárias do Paraná, Ezequiel Cooper, negou ontem que as 21 empresas que atuam em Curitiba cometam os crimes de formação de cartel, formação de quadrilha e desrespeito ao Código de Defesa do Consumidor e atribuiu a concorrentes as denúncias contra o grupo. Essas práticas vêm sendo investigadas há quatro meses pela Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública.
Até agora, segundo a Folha apurou, a polícia já levantou indícios de que essas empresas pertencem a apenas cinco grupos familiares e a maioria delas atua em pool, dividindo o mesmo endereço e telefone. O sistema, que é gerenciado pela Prefeitura de Curitiba, opera com tabela de preços. Essas práticas podem ser enquadradas como formação de cartel.
A suposta formação de quadrilha ocorreria porque o sindicato mantém funcionários nos maiores hospitais e no Instituto Médico-Legal (IML). A função desse grupo, segundo as investigações, seria impedir que funerárias não integrantes do esquema prestem o serviço e encaminhar a essas empresas os funerais de pessoas ricas.
As funerárias são acusadas também de cobrar um pedágio para permitir que pessoas mortas em Curitiba possam ser levadas para sepultamento em outras cidades e para enterrar na Capital pessoas que morreram em outros municípios. O desrespeito aos direitos do consumidor estaria caracterizado pelo tabelamento e pela impossibilidade de o usuário escolher a empresa que presta o serviço. O Serviço Funerário Municipal (SFM), implantado em 1987, adotou um rodízio de funerárias fila única, pela qual uma empresa só volta a executar o serviço depois que as demais forem contempladas.
A prefeitura é acusada de improbidade administrativa por dar permissão às empresas sem obedecer processo de licitação. A Procuradoria-Geral do Município abriu sindicância para apurar a eventual ligação de servidores com o esquema.
Dono de um grupo de cinco funerárias, Ezequiel Cooper deu entrevista ontem. Estava acompanhado do irmão Edson, sócio nas empresas e relações públicas do sindicato. Juntos, eles fizeram a defesa do setor, cujos principais tópicos são reproduzidos a seguir.
Formação de cartel Não há. Famílias já atuavam no ramo antes de 87, quando foi implantado o tabelamento e o rodízio. Decreto municipal permite o funcionamento de centrais para reduzir custos e melhorar o atendimento.
Fiscais nos hospitais Existem 32 e são pagos pelo sindicato. Função é orientar as famílias e encaminhá-las ao SFM, onde são feitos os procedimentos administrativos para o sepultamento. Não há retenção de corpos. Objetivo do grupo é registrar as mortes, impedir o agenciamento por funerárias de outras cidades, a falsificação de documentos e o roubo de pertences do morto.
Pedágio É cobrada taxa de R$ 113,33 apenas das famílias que trazem corpos de outras cidades para sepultar em Curitiba, para cobrir custos do serviço. Quando o funeral segue para outro município, só há cobrança se a empresa fizer o transporte: R$ 0,85 por quilômetro rodado.
Desrespeito ao consumidor Sistema curitibano é o melhor do Brasil e está sendo copiado por dezenas de cidades, até do exterior. Reclamações contra o serviço não atingem 0,5% do total de atendimentos. A livre concorrência só favoreceria golpes contra os usuários.
Denúncias São infundadas e feitas por empresas da Região Metropolitana que querem atuar na Capital e estão impedidas pelo sistema atual.


