O Sindicato dos Servidores Municipais de Goioerê (72 km a oeste de Campo Mourão) deu prazo até amanhã para que o prefeito Vicente Okamoto (PSDB) pague pelo menos parte dos salários atrasados aos cerca de 650 funcionários da prefeitura. Se ele não pagar, o sindicato vai entrar com uma ação na Justiça pedindo bloqueio nas contas do município. Em dois anos, os servidores acumulam oito folhas de pagamento sem receber, incluindo dois 13º salários.
‘‘A situação é desesperadora’’, diz o presidente do sindicato, Paulo Mendes da Silva. A ameaça da ação foi levada à prefeitura através de um ofício, depois que uma assembléia aprovou o pedido do bloqueio das contas. Quando tomou posse, em janeiro do ano passado, Okamoto encontrou a prefeitura com as contas bloqueadas, mas um acordo com o sindicato retirou a ação que bloqueava os recursos do município.
Quase quinze meses depois, o problema não foi resolvido e acabou se agravando. Além das quatro folhas de pagamento deixadas pelo ex-prefeito José Paulo Novaes (PDT), a atual administração acumulou outras quatro, que podem chegar a cinco no final deste mês. ‘‘Tem funcionário chorando pelos corredores da prefeitura’’, diz o sindicalista. A última vez que o Município pagou uma folha em dia foi em junho do ano passado.
Desde então, os atrasos se acumularam e nem uma greve resolveu o problema. A prefeitura vem pagando os servidores aos poucos e, em média, demora 40 dias para quitar uma folha inteira. Okamoto reclama da queda na arrecadação e da difícil situação em que assumiu a prefeitura, mas afirma que a situação deve se normalizar aos poucos. ‘‘Não podemos mais esperar porque os funcionários estão passando fome há muito tempo’’, diz Silva.
Para os professores, a boa notícia este ano veio de Brasília. Uma lei federal que entrou em vigor fez com que as verbas da educação sejam depositadas numa conta específica e inclui o salário dos professores. Graças a isso, eles estão com os salários de 98 em dia, mas têm seis pagamentos que ficaram para trás. Menos mal para os professores, pior para sindicato. Sem o pessoal do magistério, dificilmente haverá mobilização para uma nova greve.

mockup