Sindicato dá prazo para prefeito pagar atrasados
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segunda-feira, 16 de março de 1998
Sid Sauer 
O Sindicato dos Servidores Municipais de Goioerê (72 km a oeste de Campo Mourão) deu prazo até amanhã para que o prefeito Vicente Okamoto (PSDB) pague pelo menos parte dos salários atrasados aos cerca de 650 funcionários da prefeitura. Se ele não pagar, o sindicato vai entrar com uma ação na Justiça pedindo bloqueio nas contas do município. Em dois anos, os servidores acumulam oito folhas de pagamento sem receber, incluindo dois 13º salários.
A situação é desesperadora, diz o presidente do sindicato, Paulo Mendes da Silva. A ameaça da ação foi levada à prefeitura através de um ofício, depois que uma assembléia aprovou o pedido do bloqueio das contas. Quando tomou posse, em janeiro do ano passado, Okamoto encontrou a prefeitura com as contas bloqueadas, mas um acordo com o sindicato retirou a ação que bloqueava os recursos do município.
Quase quinze meses depois, o problema não foi resolvido e acabou se agravando. Além das quatro folhas de pagamento deixadas pelo ex-prefeito José Paulo Novaes (PDT), a atual administração acumulou outras quatro, que podem chegar a cinco no final deste mês. Tem funcionário chorando pelos corredores da prefeitura, diz o sindicalista. A última vez que o Município pagou uma folha em dia foi em junho do ano passado.
Desde então, os atrasos se acumularam e nem uma greve resolveu o problema. A prefeitura vem pagando os servidores aos poucos e, em média, demora 40 dias para quitar uma folha inteira. Okamoto reclama da queda na arrecadação e da difícil situação em que assumiu a prefeitura, mas afirma que a situação deve se normalizar aos poucos. Não podemos mais esperar porque os funcionários estão passando fome há muito tempo, diz Silva.
Para os professores, a boa notícia este ano veio de Brasília. Uma lei federal que entrou em vigor fez com que as verbas da educação sejam depositadas numa conta específica e inclui o salário dos professores. Graças a isso, eles estão com os salários de 98 em dia, mas têm seis pagamentos que ficaram para trás. Menos mal para os professores, pior para sindicato. Sem o pessoal do magistério, dificilmente haverá mobilização para uma nova greve.


