Sindicato critica avaliação de professor
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 28 de abril de 1998
Guilherme Pupo 
A APP-Sindicato dos Professores da Rede Pública do Paraná está questionando na Justiça o sistema organizado pela Secretaria Estadual de Educação (Seed) para avaliar o desempenho de 38 mil professores e funcionários celetistas.
A avaliação, que terminou segunda-feira, foi feita pelos conselhos escolares - formados por diretores de escola, pais de alunos e professores. O objetivo é estabelecer uma pontuação que será levada em conta no processo seletivo para contratação de pessoal pelo Paranaeducação (instituição que funciona como serviço social autônomo e apoia a gestão do sistema estadual de educação).
Na segunda-feira, a assessoria jurídica da APP-Sindicato entrou com ação na Vara da Fazenda Pública pedindo que a avaliação seja suspensa e considerada nula. Não somos contra a avaliação dos professores. O problema é que os conselhos escolares não têm suporte nem atribuição para interferir na contratação ou demissão de professores e funcionários, disse o secretário de organização da APP-Sindicato, Miguel Baez.
Segundo ele, o processo de avaliação é muito subjetivo e pode prejudicar professores e funcionários que não tenham bom relacionamento com a diretoria da escola. De acordo com a APP, a melhor forma de avaliação seria o concurso público, com provas escritas e considerando o tempo de serviço dos professores.
O teste avaliou conhecimento, assiduidade, pontualidade e relacionamento humano. Segundo o diretor técnico do Paranaeducação, professor Luiz Walter Chalusnhak, a avaliação foi adotada para beneficiar os professores e funcionários que já trabalham na rede estadual. Eles vão ter uma vantagem de até 6 pontos em relação a quem não está no sistema, nos itens de tempo de serviço e desempenho no estabelecimento de ensino, diz.
Segundo ele, a avaliação poderia ser feita pelos diretores das escolas, mas a secretaria considerou a opção dos conselhos mais democrática. É lógico que vão haver casos de perseguição, mas o professor ou funcionário que se sentir prejudicado pode recorrer ao Núcleo Regional de Educação e pedir reconsideração, observa.
O processo de seleção do Paranaeducação terá três etapas: prova de conhecimento (quatro pontos); experiência profissional (dois pontos); e avaliação do desempenho (quatro pontos). Os contratos, efetivados até o final deste ano, serão por tempo indeterminado, substituindo o atual sistema de contratos temporários, com duração de um ano e possibilidade de uma única prorrogação.APP recorre à Justiça contra pontuação que será levada em conta na contratação de pessoal pelo Paranaeducação
Arquivo FolhaVantagemChalusnhak, do Paranaeducação: avaliação foi adotada para beneficiar os professores e funcionários que já trabalham na rede estadualSegundo a APP, a
melhor forma de
avaliação seria o
concurso público


