Sindicato cobra melhorias em hospital
Maigue Gueths
De Curitiba
A intoxicação alimentar que contaminou no dia 6 deste mês, 14 pacientes e 18 funcionários do Hospital de Dermatologia Sanitária antigo São Roque em Araucária, Região Metropolitana de Curitiba, não é o primeiro nem o único problema enfrentado pela instituição. A existência de ratazanas na rede de esgoto e em alguns setores internos, a distribuição de comida vencida ou deteriorada são algumas das reclamações que funcionários, usuários e o Sindicato dos Trabalhadores em Serviços de Saúde Pública (SindSaúde) vêm denunciando há tempo aos responsáveis pelo local. Ontem, representantes do SindSaúde estiveram na Secretaria de Estado da Saúde, cobrando novas diretrizes de direitos humanos no local.
Não foi uma pessoa que ligou ao sindicato contando a situação do hospital. O problema lá é antigo e grave e os funcionários estão todos do nosso lado querendo uma solução, diz a coordenadora SindSaúde, Mari Elaine Rodella. No caso da intoxicação, os funcionários questionam o porquê da diretoria do hospital não ter notificado a Vigilância Sanitária assim que começaram a aparecer os casos de diarréia, vômitos e náuseas. Estava tudo tão camufladinho, tão abafadinho, que a gente achava que ninguém ia ficar sabendo que o pessoal estava mal, disse uma servidora que não quis se identificar por medo de perder o emprego.
Segundo outro funcionário do Setor de Enfermagem, que também não deu seu nome, o problema começa pela total falta de estrutura do local. Se fizerem um levantamento minucioso vão ver que existem muitos problemas ali. O prédio é antigo, os canos são antigos, têm ratazanas no esgoto e em algumas enfermarias, isto sem falar na falta de medicamentos, diz. Já Vilmar Rios, que trabalha no Setor de Manutenção há dez anos, diz que o descaso atinge também a cozinha. Eles querem servir frango estragado para a gente, uma pessoa já chegou a achar um bicho destes de carne podre na comida, e na última quarta-feira serviram feijão azedo para os pacientes, diz.
Grade no ralo Segundo o SindSaúde, a Vigilância Sanitária constatou essa situação na cozinha do estabelecimento, deu prazo para que fossem feitas melhorias, mas a única atitude da direção foi colocar uma grade sobre um ralo, por onde os ratos entravam na casa.
A falta de qualidade da comida, segundo Elaine, também está relacionada ao método de administração do hospital, feito por freiras, que recebem doações de mercadorias prestes a vencer, e as usam para poder economizar. Isto acontece com bolachas, água mineral, feijão, chocolate, conta um funcionário. Segundo ele, os cozinheiros querem jogar estas comidas vencidas no lixo, mas são impedidos pela direção do hospital. Para o sindicato, um dos problemas é a falta de um nutricionista no hospital, já que o Estado tem apenas seis contratados.
O Hospital São Roque foi construído há cerca de 70 anos para abrigar pessoas com hanseníase, dentro de uma antiga concepção de que os portadores da doença tinham que viver em colônias isoladas, que garantissem a não transmissão da doença. Como este era um problema que causava muita comoção nas pessoas, era comum a igreja interceder com a ajuda de freiras e padres. Quando este conceito foi esquecido, o hospital passou a atender também outros problemas dermatológicos, embora a maioria dos pacientes ainda seja de hansenianos.





