Sindicato apóia delegado afastado
Paulo Ubiratan
De Londrina
O Sindicato da Polícia Civil de Londrina (Sindipol), por intermédio de sua presidente, Solange Pinheiro de Freitas, oficializou ontem apoio irrestrito aos delegados Adauto de Oliveira e Anníbal Bassan Junior. É um dever profissional de cidadania darmos nosso apoio aos delegados que tiveram a coragem de denunciar o que pretendem fazer com a Polícia Civil. Estão nos sucateando, tirando nossas condições de trabalho e, com isto, prejudicando a segurança e o bem-estar do cidadão paranaense, afirmou Solange.
Na semana passada os dois delegados entraram em atrito com o secretário de Segurança Pública do Paraná, Cândido Martins de Oliveira, criticando sua forma de administrar, favorecendo a Polícia Militar e propondo unir as duas polícias. O conflito chegou ao máximo no último domingo, quando o delegado Adauto disse à Folha que existia um complô contra a Polícia Civil promovida pela Polícia Militar. Ontem, em uma estrevista a Folha, o secretário de Segurança, Cândido Martins de Oliveira, rebateu as denúncias do delegado. Adauto pediu demissão da função de diretor da Escola da Polícia Civil e Bassan da Diretoria da Corregedoria do orgão no Paraná.
Para Solange, não existe crise entre as polícias do Paraná. Na realidade o que existe é uma tentativa de destruir a Polícia Civil e promover a Polícia Militar para o seu lugar. Outro aspecto que nos apavora é a união das duas polícias. A discussão deve ser feita em plano federal e não ficar restrita ao Estado e aos vislumbres de pessoas que somente querem aparecer. Não devemos também admitir que o Paraná sirva de cobaia para o Brasil, para ver se esta união vai dar certo ou não, desabafou a presidente do Sindipol.
Para explicar a situação de sucateamento da Polícia Civil de todo o Paraná, Solange tomou como exemplo a situação que se encontra a 10ª Subdivisão Policial (SDP) de Londrina. Ela conta que o número de policiais na Subdivisão é igual ao de 20 anos atrás. Conforme levantamento feito pelo Sindipol, atualmente trabalham na Polícia Civil de Londrina 50 investigadores e 16 escrivães. Em virtude dos Distritos Policiais abrigarem presos e o serviço de carceragem ser feito pelos investigadores, apenas 16 policiais são responsáveis pela operacionalidade das delegacias. A presidente enfatiza que com este número de investigadores inviabiliza qualquer proposta de segurança para a comunidade.
Solange afirmou que antes de se abrir qualquer discussão a cúpula policial deveria primeiramente pensar em reorganizar o que está desmatelado. Ela enfatizou que a atual situação que se encontra a Polícia Civil originou um descontentamento geral na categoria de difícil recomposição. Não se consegue avaliar o nível de indignação dos nossos filiados. Isto não é bom para o povo paranaense que na realidade sofre por falta de segurança, sem ter nenhuma culpa do problema.





