A regional de Londrina da Associação dos Professores do Paraná (APP/Sindicato) está apelando para que os diretores das escolas estaduais de Londrina não assinem o termo de adesão ao Programa de Expansão, Melhoria e Inovação do Ensino Médio (Proem). É o projeto do governo Jaime Lerner que visa mudar o ensino profissionalizante em todo o Estado a partir do ano que vem.
Termina amanhã o prazo para que os diretores de escola entreguem o termo de adesão. A proposta da Secretaria Estadual de Educação é acabar, já no próximo ano, com a oferta de vagas para todos os cursos profissionalizantes. Serão mantidas apenas as turmas que ingressaram em 96.
Pelo Proem, o curso de Educação Geral passaria a ser o único ofertado no 2º grau. Quem quiser se profissionalizar deverá fazer matrícula, depois, nos chamados cursos pós-médio. A Secretaria pretende ofertá-los em centros a serem implantados conforme a vocação econômica de cada região.
O presidente local da APP/Sindicato, Aristides Schiochet, acredita que o Proem não tenha sido suficientemente divulgado entre os professores e a comunidade. Ele reclama que o Governo apresentou o projeto criando o Proem na Assembléia Legislativa, este ano, mas acabou retirando-o de pauta porque a APP pressionou os deputados a não aceitarem a proposta.
Depois, afirma Aristides Schiochet, o Governo Estadual apresentou nova resolução - de número 4.394/96 - estabelecendo que as escolas poderão aderir ao Proem mediante termo de adesão. Ele critica a decisão do Governo dizendo que o Proem foi imposto ‘‘goela abaixo dos diretores de escolas’’.
‘‘A APP/Sindicato não é contra o Proem. Nós só achamos que ele não foi discutido amplamente’’, diz Schiochet. Ele aconselha os diretores a não assinarem o termo de adesão e pedirem que a proposta seja amplamente divulgada no ano que vem. ‘‘Aí, então, se a comunidade aprovar, o projeto seria implantado em 1998.’’
Na opinião do presidente da APP/Sindicato, os jovens ficarão sem oportunidade de emprego caso o ensino profissionalizante passe a ser ofertado através de cursos pós-médio. ‘‘O governo poderia até diminuir as turmas profissionalizantes, mas deveria qualificar melhor as escolas e os professores.’’
Schiochet critica também a participação da Paranatec na administração do Proem: ‘‘Isto demonstra interesse político. Temos receio de que o ensino de 2º grau acabe privatizado, porque a Paranatec é uma empresa’’. Para o presidente da APP/Sindicato, o anúncio do governo de repassar mais recursos para as escolas que aderirem ao projeto é visto como ‘‘chantagem’’.
A APP/Sindicato está distribuindo um panfleto entre os professores e diretores expondo porque a entidade é contrária à adesão imediata ao Proem. Entre os principais itens colocados pelo sindicato está a redução da oferta de ensino profissionalizante, deixando o campo para as escolas particulares explorarem. Também questiona se os centros profissionalizantes serão construídos apenas em grandes e médias cidades.
Outra preocupação da APP/Sindicato é onde serão aproveitados os professores de 2º grau de cursos profissionalizantes. Para Schiochet, com os cursos pós-médio, haverá separação da educação humanística da técnica profissional.

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