Silvana Leão
De Londrina
A polêmica em torno da regularização do serviço de mototáxi em Londrina promete esquentar ainda mais nos próximos dias. Ontem, dois jornais da cidade trouxeram anúncio do Sindicato dos Condutores Autônomos de Táxis Rodoviários de Londrina (Sicoatarol), lembrando que o Tribunal de Justiça (TJ) proibiu o funcionamento de centrais de mototáxi em todo o Estado. O anúncio cobra uma decisão do poder público e lembra que as prefeituras correm o risco de ser responsabilizadas judicialmente por acidentes ou danos causados a terceiros.
‘‘Até agora nós esperamos que o poder público tomasse alguma providência, o que não foi feito. Daqui para a frente, vamos orientar as pessoas vítimas de acidentes de mototáxi que procurem o sindicato para entrar com ação indenizatória contra a prefeitura, já que a atividade é ilegal’’, informou o presidente do Sicoatarol, Antonio Pereira da Silva.
De acordo com o taxista, se todos entrarem com a ação, vai chegar um ponto que a prefeitura não vai aguentar pagar todas as indenizações. ‘‘E aí ela terá que tomar as medidas necessárias. Esta é uma forma de forçar o poder público a cumprir a lei.’’
Silva calcula que o movimento dos táxis no município caiu em torno de 30% depois que os mototaxistas começaram a atuar. Ele nega, porém, que o aumento recente no valor da bandeirada (27% para a bandeira dois e 23% para a bandeira um, no quilômetro rodado dentro da cidade) tenha provocado queda brusca no movimento e forçado a categoria a agir com mais rigor em relação aos mototaxistas. ‘‘Nosso último reajuste tinha sido em 96. A tarifa estava muito defasada’’, justifica, afirmando que não diminuiu o número de usuários em função do aumento de preço.
O presidente da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), Celso Costa, afirmou que a prefeitura, por enquanto, não vai fazer nada para coibir a atuação dos mototaxistas em Londrina. ‘‘Trata-se um assunto delicado, que tem que ser analisado com cuidado porque tem uma grande repercussão’’, disse, lembrando o projeto de lei popular, com 28 mil assinaturas, que já está na Câmara de Vereadores pedindo a regulamentação da atividade.
Celso Costa explicou que a Comurb foi um dos órgãos convidados pela Comissão de Justiça da Câmara para dar parecer sobre a matéria. Estes pareceres deverão subsidiar os vereadores na tomada de uma decisão.
Costa acredita que a primeira versão do parecer técnico da Comurb – que será feito em etapas, de acordo com as necessidades da Comissão de Justiça – estará pronta dentro de alguns dias. Ele acredita que a decisão final sobre a questão deverá ser tomada sem ‘‘radicalização’’ pelas partes envolvidas.
Ontem, uma comissão formada por 15 proprietários de centrais de mototaxi esteve na Câmara pedindo apoio político dos vereadores no sentido de que cobrem agilidade dos órgãos convidados a dar o parecer à Comissão de Justiça. O presidente da Associação de Mototaxis Norte do Paraná, Vilson Primo Dalla Costa, explicou que o assunto ainda deverá ser analisado pelas Comissões de Segurança e Finanças antes de entrar em votação.
A regulamentação da atividade no município – criando exigências a serem cumpridas tanto pelos mototaxistas como pelas centrais – é importante, de acordo com Vilson Costa, para coibir a atuação das centrais que não cumprem as normas mínimas de segurança, como conservação adequada das motocicletas. Todas as 30 empresas que fazem parte da associação pagam seguro de vida para passageiros e mototaxistas.

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