Dorico da SilvaPressãoTaxistas reunidos ontem com o prefeito Belinati: tentativa de organizar serviço até a decisão judicialA Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) e o Sindicato dos Taxistas vão se reunir com as empresas de mototáxi que obtiveram liminar na Justiça para trabalhar em Londrina. O objetivo é regularizar o funcionamento dessas empresas até que seja julgado o mérito da ação. A decisão foi tomada pelo prefeito Antonio Belinati (PDT) ontem, por volta do meio-dia, durante reunião com os representantes dos taxistas da Cidade. Assim que forem definidas as regras, a Prefeitura promete fechar as empresas sem liminar.
Somente três empresas de mototáxi têm liminar para trabalhar na Cidade, segundo a Comurb: Solução, Zona Norte e Lindóia. Mas no cadastro da Sercomtel, o número de pessoas físicas que registraram também um serviço de mototáxi como ‘‘nome fantasia’’ chega a 50 - duas delas cadastradas ontem.
Participaram do encontro, além de Belinati, o presidente do Sindicato dos Taxistas, Amaro Batista, os vereadores Salvador Francisco (PSDB) e Carlos Kita (PFL);e o secretário municipal da Fazenda, Luiz Cesar Guedes; e os presidentes das três centrais de radiotáxi da Cidade.
Os taxistas estão pressionando a Prefeitura a fiscalizar o serviço irregular de mototáxi em Londrina. O temor é que haja conflitos entre taxistas e mototaxistas nas corridas durante a Exposição Agropecuária de Londrina, que começa dia 9 de abril. ‘‘Pode haver até morte’’, diz o vereador Salvador Francisco, autor da lei que proíbe o serviço de mototáxi na Cidade. A lei foi promulgada em dezembro do ano passado.
Segundo os taxistas, a Prefeitura está fazendo ‘‘vistas grossas’’ e não fiscaliza o cumprimento da lei. Os taxistas dizem que há um jogo de empurra-empurra entre a Comurb e a Secretaria da Fazenda. Guedes ponderou que a Prefeitura não pode impedir o trabalho das empresas que têm liminar. ‘‘A liminar é concedida para a empresa e não para o mototaxista. Portanto, pode haver migração de motociclistas de uma empresa para outra’’, diz Guedes.
Na reunião com as empresas de mototáxi, deverão ser estabelecidas regras para evitar o aumento do número de mototaxistas em cada uma. ‘‘Na convocação pela Comurb, será anotado o número com que cada uma trabalha e isso não pode ser alterado’’, diz o presidente do Sindicato dos Taxistas, Amaro Batista. Os taxistas querem ainda que os mototaxistas limitem o serviço à central, atendendo apenas às chamadas feitas pelo telefone, sem pegar passageiro na rua. O prefeito pediu que o Sindicato elabore uma pauta de reivindicações para a reunião com os mototaxistas.
Belinati diz que a questão do serviço de mototáxi não é restrita a Londrina. ‘‘Em todo o País, há essa reivindicação. As reportagens de televisão mostram vários enfoques sobre o assunto. Não é tão simples’’, comenta. Ele informa que há um consenso nacional entre os Detrans (Departamentos de Trânsito) sobre o emplacamento de motocicletas para o serviço de táxi. ‘‘A Polícia Militar também não vai fazer apreensão até que se encontre uma solução. As ações ainda serão julgadas pela Justiça. Um acordo com as empresas pode resolver por hora a situação. Com certeza, elas terão interesse em funcionar com critérios.’’
O proprietário da empresa de mototáxi Solução, João Edson de Freitas, afirma que concorda em participar da reunião com a Comurb e com a definição de regras. A Solução tem hoje 80 mototaxistas. Segundo João Edson, o número de motociclistas depende da demanda. ‘‘Se o serviço for legalizado, o número de motos será proporcional à população, mas hoje, se eu precisar de mais motos, com certeza vou contratar.’’
João Edson não acredita que vá haver conflito durante a Exposição. ‘‘Com o meu pessoal será tudo tranquilo porque nós não ficamos na porta de nenhum evento. Só atendemos pedidos feitos à central’’, diz. A Solução tem liminar há um ano. ‘‘Já trabalhamos na Exposição do ano passado, sem fazer ‘porta’, e não houve qualquer problema.’’

mockup