Sindicato alerta para risco de conflito
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sexta-feira, 27 de março de 1998
Carina Paccola 
Dorico da SilvaPressãoTaxistas reunidos ontem com o prefeito Belinati: tentativa de organizar serviço até a decisão judicialA Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) e o Sindicato dos Taxistas vão se reunir com as empresas de mototáxi que obtiveram liminar na Justiça para trabalhar em Londrina. O objetivo é regularizar o funcionamento dessas empresas até que seja julgado o mérito da ação. A decisão foi tomada pelo prefeito Antonio Belinati (PDT) ontem, por volta do meio-dia, durante reunião com os representantes dos taxistas da Cidade. Assim que forem definidas as regras, a Prefeitura promete fechar as empresas sem liminar.
Somente três empresas de mototáxi têm liminar para trabalhar na Cidade, segundo a Comurb: Solução, Zona Norte e Lindóia. Mas no cadastro da Sercomtel, o número de pessoas físicas que registraram também um serviço de mototáxi como nome fantasia chega a 50 - duas delas cadastradas ontem.
Participaram do encontro, além de Belinati, o presidente do Sindicato dos Taxistas, Amaro Batista, os vereadores Salvador Francisco (PSDB) e Carlos Kita (PFL);e o secretário municipal da Fazenda, Luiz Cesar Guedes; e os presidentes das três centrais de radiotáxi da Cidade.
Os taxistas estão pressionando a Prefeitura a fiscalizar o serviço irregular de mototáxi em Londrina. O temor é que haja conflitos entre taxistas e mototaxistas nas corridas durante a Exposição Agropecuária de Londrina, que começa dia 9 de abril. Pode haver até morte, diz o vereador Salvador Francisco, autor da lei que proíbe o serviço de mototáxi na Cidade. A lei foi promulgada em dezembro do ano passado.
Segundo os taxistas, a Prefeitura está fazendo vistas grossas e não fiscaliza o cumprimento da lei. Os taxistas dizem que há um jogo de empurra-empurra entre a Comurb e a Secretaria da Fazenda. Guedes ponderou que a Prefeitura não pode impedir o trabalho das empresas que têm liminar. A liminar é concedida para a empresa e não para o mototaxista. Portanto, pode haver migração de motociclistas de uma empresa para outra, diz Guedes.
Na reunião com as empresas de mototáxi, deverão ser estabelecidas regras para evitar o aumento do número de mototaxistas em cada uma. Na convocação pela Comurb, será anotado o número com que cada uma trabalha e isso não pode ser alterado, diz o presidente do Sindicato dos Taxistas, Amaro Batista. Os taxistas querem ainda que os mototaxistas limitem o serviço à central, atendendo apenas às chamadas feitas pelo telefone, sem pegar passageiro na rua. O prefeito pediu que o Sindicato elabore uma pauta de reivindicações para a reunião com os mototaxistas.
Belinati diz que a questão do serviço de mototáxi não é restrita a Londrina. Em todo o País, há essa reivindicação. As reportagens de televisão mostram vários enfoques sobre o assunto. Não é tão simples, comenta. Ele informa que há um consenso nacional entre os Detrans (Departamentos de Trânsito) sobre o emplacamento de motocicletas para o serviço de táxi. A Polícia Militar também não vai fazer apreensão até que se encontre uma solução. As ações ainda serão julgadas pela Justiça. Um acordo com as empresas pode resolver por hora a situação. Com certeza, elas terão interesse em funcionar com critérios.
O proprietário da empresa de mototáxi Solução, João Edson de Freitas, afirma que concorda em participar da reunião com a Comurb e com a definição de regras. A Solução tem hoje 80 mototaxistas. Segundo João Edson, o número de motociclistas depende da demanda. Se o serviço for legalizado, o número de motos será proporcional à população, mas hoje, se eu precisar de mais motos, com certeza vou contratar.
João Edson não acredita que vá haver conflito durante a Exposição. Com o meu pessoal será tudo tranquilo porque nós não ficamos na porta de nenhum evento. Só atendemos pedidos feitos à central, diz. A Solução tem liminar há um ano. Já trabalhamos na Exposição do ano passado, sem fazer porta, e não houve qualquer problema.


