Sindicato afasta presidente, que continua preso em Porecatu
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segunda-feira, 02 de julho de 2001
Edna Mendes De Londrina 
A Vara Criminal do Fórum de Porecatu (85 quilômetros ao norte de Londrina) informou ontem que o juiz Evandro Luis Camparoto indeferiu o pedido de liberdade provisória ao presidente do Sindicato dos Rodoviários de Londrina, Evanildo Pinto Rodrigues, e dos diretores da Daniel Malaquias e Claudemir Arriero. Eles foram presos em flagrante no dia 23 de junho acusados de extorquir a Usina Central do Paraná, produtora de açúcar e álcool. Ontem, o sindicato afastou Rodrigues da presidência, a pedido dele.
Até o final da tarde de ontem os advogados dos sindicalistas, Osvaldo Pessoa Cavalcanti e Silva e André Salvador, não tinham conhecimento do indeferimento do pedido de liberdade. De acordo com Salvador, o cartório distribuidor do Fórum de Porecatu não havia despachado o documento. Por isso, os advogados não informaram qual será a posição da defesa a partir dessa decisão. Somente após o pedido ser negado oficialmente é que os advogados vão se pronunciar. O escrivão confirmou o indeferimento para a Folha.
Ontem, o sindicalista João Batista Silva foi empossado presidente em exercício do Sindicato dos Rodoviários. Ele contou que chegou a Londrina no sábado, depois de passar 15 dias na Venezuela fazendo um curso. Eu soube da prisão dos nossos companheiros através do site da Folha. Convivo com o Evanildo desde 1981 e nunca tive motivos para desconfiar dele. A acusação é grave e abala a reputação dos três, mas até que tudo seja provado vamos continuar dando apoio aos três, disse.
Evanildo Rodrigues foi submetido ontem a exames médicos. Ele tem problemas cardíacos, mas após o procedimento médico voltou para a carceragem da delegacia. O procurador do Trabalho da 9ª Região, Gláucio Araújo de Oliveira, de Curitiba, esteve em Porecatu na semana passada. Ele disse que, por enquanto, não pode revelar o teor da conversa que teve com representantes do Ministério Público, mas que em breve deve voltar ao município acompanhado de mais um procurador para desenvolver um trabalho de campo sobre a situação dos trabalhadores da usina.
Os sindicalistas foram presos pela Polícia Civil com R$ 100 mil em dinheiro e um cheque ao portador no valor de R$ 100 mil. Eles são acusados de tentar extorquir a empresa para evitar a deflagração de uma greve e dilapidação do patrimônio. O crime é inafiançável, com pena de quatro a 10 anos de reclusão, além de multa.


