O Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge-PR) entrou com uma ação civil pública no Ministério Público do Trabalho contra a América Latina Logística do Brasil (ALL) – concessionária do transporte ferroviário na Região Sul –, pedindo apuração sobre denúncias de irregularidades trabalhistas e na manutenção da malha. A gerente de relações corporativas da ALL, Silvana Alcântara de OIiveira, afirmou que até ontem a empresa não tinha sido notificada e não poderia se pronunciar.
O Senge-PR decidiu recorrer ao Ministério Público depois que a Delegacia Regional do Trabalho realizou fiscalização na empresa, autuando-a por três infrações: ausência de controle de horário de trabalho dos empregados, excesso de jornada e falta de concessão de intervalo mínimo de 11 horas entre duas jronadas.
‘‘Esses problemas são causas de estresse e queda na qualidade do trabalho dos empregados, podendo inclusive provocar acidentes’’, afirmou o presidente do Senge-PR, Rasca Rodrigues. A entidade também acusou a ALL de não estar fazendo as obras necessárias para garantir qualidade e segurança nas ferrovias.
No ano passado, segundo Rodrigues, aconteceram 15 descarrilamentos de trens mantidos pela ALL no Paraná, enquanto houve apenas um caso em 1996 - último ano de gestão da Rede Ferroviária Federal S.A. ‘‘A ALL só aplica em manutenção no patrimônio da Rede porque é indenizada pelos gastos, mas não investe em seus bens’’, disse Rodrigues, lembrando que a ALL adquiriu a Regional Sul com 6 mil vagões, 240 locomotivas e 6,5 mil quilômetros de malha. Depois, eliminou 1,2 mil quilômetros de ferrovias e extinguiu 70 estações.

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