Depois de a FOLHA publicar, no domingo, reportagem mostrando que o medicamento abortivo Cytotec - que tem comercialização proibida em todo o Brasil - está sendo vendido dentro do Shopping Popular, conhecido como Camelódromo de Londrina, o representante dos 350 lojistas que trabalham no local, Rogério Gonsalez, informou que será aberta uma sindicância interna para apurar quem está comercializando a droga.
Destacando que 1,1 mil pessoas trabalham no Camelódromo, Gonsalez se declarou surpreso com o fato de um jornalista da FOLHA ter comprado, sem encontrar dificuldades, o medicamento das mãos de um lojista. Quatro compridos, embrulhados em papel de presente, foram adquiridos por R$ 300. ''Temos feito reuniões visando orientar nossos trabalhadores sobre a proibição da venda de medicamentos. Nunca passaram para a gente (direção) a informação de que tenha alguém vendendo remédios dentro do Camelódromo. O lamentável é que trata-se de um caso isolado. Não é o Camelódromo que está vendendo Cytotec, é apenas uma pessoa, que acaba manchando o nome de centenas de trabalhadores'', lamentou.
Ainda segundo Gonsalez, será formada uma comissão de lojistas para investigar a denúncia. ''Se descobrirmos a pessoa que vendeu a droga, vai haver punição. Pode até ser a perda da loja.'' Ele cogitou também a hipótese de a droga ser vendida por alguém que não é comerciante do shopping. ''Por dia, 4 a 5 mil pessoas passam pelo nosso local de trabalho. Fica fácil alguém trazer a droga de fora e vender lá dentro. Vamos fiscalizar cada vez mais''.
Gonsalez admitiu que interessados em comprar o abortivo vão até o Camelódromo. ''Já aconteceu de perguntarem para mim se eu sabia quem vendia Cytotec. Quando é assim, aproveitamos para explicar todos os males que essa droga causa e orientamos que é caso de polícia. Geralmente, os compradores vão embora assustados. Mas não é só no Camelódromo que essas pessoas procuram, elas vão até nas farmácias'', ressaltou.
Na reportagem de domingo, o diretor de Vigilância Sanitária do município de Londrina, Rogério Lampe, declarou que cabe ao órgão fiscalizar o comércio lícito de medicamentos. Na questão do comércio de produtos abortivos no Camelódromo, o caso passa a ser de polícia. ''A Vigilância Sanitária vai fazer a rastreabilidade do medicamento. Se ele estiver chegando até lá (Camelódromo) por meio de uma distribuidora, vamos tomar as providências legais. Porém, se for contrabando é caso de Polícia Federal. É tráfico internacional de drogas.''
Por sua vez, o delegado da Polícia Federal (PF) em Londrina, Evaristo Kuceki, comentou que a PF está atenta em relação ao Cytotec e também a outros medicamentos que não estão na lista da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e acabam entrando ilegalmente, na forma de contrabando, no território brasileiro.

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