A Secretaria Municipal de Educação abriu ontem uma sindicância para apurar a aquisição de alimentos destinados à merenda escolar e à distribuição de cestas básicas sem processo licitatório. Em junho último, segundo o auditor interno do município, Sadi Chaiben, um funcionário da secretaria trocou 28.800 quilos de feijão carioca por 800 fardos de arroz agulhinha tipo 1, 100 fardos de feijão carioca tipo 1, 200 fardos de açúcar cristal e 350 caixas de óleo.
O feijão utilizado na troca estaria com o prazo de validade prestes a vencer, por isso, segundo Chaiben, teria sido trocado por outros produtos. A sindicância terá um prazo de 15 dias para levantar quem é o funcionário que efetuou a troca e com a autorização de quem.
O secretário de Educação, José Dorival Perez, afirmou que faz questão de apurar o que de fato aconteceu, já que a aquisição de produto mediante permuta fere a lei de licitações 8.666 de 21 de junho de 1993.
Ao final da sindicância, Chaiben afirma que poderá ser instaurado um inquérito administrativo. Outras irregularidades referentes aos fornecedores do produtos alimentícios à Prefeitura de Londrina foram divulgadas nos últimos dias. As irregularidades dizem respeito basicamente à qualidade e a pesagem de produtos como arroz, feijão e óleo adquiridos para a merenda escolar e distribuição de cestas básicas.
Segundo Chaiben, foram encaminhados dossiês sobre cada caso ao procurador-geral do Município, Arão Moreira dos Santos Neto, para que sejam tomadas as medidas cabíveis.
Ontem à tarde, a Empresa Paranaense de Classificação de Produtos (Claspar) emitiu laudo que comprova a qualidade do óleo de soja Graziela utilizado na merenda escolar. Amostras do produto foram encaminhadas semana passada pela Auditoria Interna do Município, depois que uma funcionária desconfiou do peso de uma das latas.
O Instituto de Peso e Medidas (Ipem) constatou que as latas estavam sendo envasadas com, em média, 81 ml a menos que o indicado. Outras amostras foram encaminhadas para a Claspar para verificar a qualidade e ficou comprovado que o produto é próprio para consumo. Segundo Chaiben, as 4.925 latas que estavam apreendidas foram liberadas após a auditoria receber o laudo de qualidade.
Nelson Cisotti Júnior, gerente de vendas da Triângulo Alimentos, empresa fabricante do óleo de soja Graziela, disse que não pretende recorrer das análises do Ipem. Ele reconheceu que houve erro no envasamento do óleo, causado por falha de equipamento eletrônico. ‘‘O envase é automatizado e acredito que uma queda de energia deve ter causado uma desregulagem no equipamento.’’
Segundo ele, assim que foi detectado o problema, a empresa tentou localizar o lote falho e não sabia que tinha vindo a Londrina. O gerente disse que o lote foi vendido para uma empresa de Belo Horizonte (MG), que deve ter ganho licitação da prefeitura de Londrina. ‘‘Assim que fomos informados, entramos em contato com a Secretaria de Educação e nos propusemos a efetuar a troca das latas que ainda não tinham sido utilizadas e a repor o restante, com 100 ml cada uma, uma margem até mais alta do que foi indicado na perícia’’, afirmou.
O fiscal metrológico Marcelo Trautwein, do Ipem, disse que não é possível afirmar se anteriormente o óleo já estava sendo envasado em menor quantidade.

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