Sindicância de loja conclui que viúva encenou agressão
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sexta-feira, 01 de abril de 2005
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba Uma sindicância feita pelas Lojas Cem em São Paulo concluiu que a viúva Zilma Francisca Braga, de 44 anos, mentiu ao dizer que foi agredida fisicamente pelo gerente Érico Leite, da unidade da Vila Hauer, em Curitiba. Na semana passada, a viúva compareceu ao 8º Distrito Policial (DP) com marcas por todo o corpo. Ela relatou que foi arrastada pelos cabelos do portão da casa onde mora com os filhos e levada até o carro do gerente que, não satisfeito, teria arrastado a viúva pelos cabelos com o carro.
A sindicância diz o contrário. De acordo com o supervisor geral da empresa em São Paulo, Valdemir Colleone, a viúva teria encenado a agressão para vizinhos e parentes. Ela teria tentado agredir fisicamente o gerente e retirá-lo do carro à força. O gerente teria dado a partida no carro. Ela teria gritado muito e caído ao lado do carro quando Leite tentava fechar a porta. ''Ela fez um teatro. Os vizinhos só viram ela jogada no chão. Não viram mais nada porque não houve agressão'', garantiu o gerente de propaganda da empresa, Maurício Gardenal. A empresa entrará com um processo judicial contra a viúva por calúnia, injúria e difamação pela falsa acusação de espancamento.
''Não posso dizer como ocorreram as lesões do corpo dela. Isso apenas o laudo técnico poderá dizer. O que eu posso garantir é que o meu gerente jamais faria isso. Nossos gerentes são pessoas equilibradas, desenvolvidas, civilizadas. Essa mulher tem problemas, ela mesma admite isso'', argumentou Colleone. Ele teria orientado Leite e outro funcionário que estava com ele a abrirem um termo circunstânciado na polícia contra a viúva. Entretanto, os delegados do 7º e do 8º Distritos Policiais teriam dito que para estes casos não era necessário um termo circunstanciado.
De acordo com a loja, Zilma era considerada ótima cliente e sempre havia feito compras à prazo e quitado todas as faturas. Por conta disto, o crédito teria sido liberado. As compras teriam sido realizadas entre os dias 3 e 27 de setembro e somavam R$ 7,6 mil. Do total do financiamento em 19 vezes, apenas foram pagos R$ 92,70. A soma das parcelas atrasadas já passa de R$ 2,6 mil. No dia do incidente, o gerente teria ido tentar um novo acordo. Entretanto, ela teria se descontrolado.
''Nunca passamos por uma situação tão constrangedora. As lojas Cem têm 53 anos de tradição no comércio de móveis e eletrodomésticos. É uma empresa modelo, vitimada pela recusa de uma consumidora em honrar um contrato assumido livremente'', considerou Colleone.
Zilma vive com uma pensão mensal de R$ 337. O delegado Rogério Martins de Castro, que preside o inquérito sobre o caso, ouviu a viúva e três testemunhas que confirmaram a agressão. Também foi ouvido o gerente, que teria negado a agressão. A definição do que aconteceu só ocorrerá, segundo ele, após receber o laudo de lesões corporais, que ficará pronto na segunda-feira. ''Até o final da semana que vem, o inquérito será concluído.''


