Telma Elorza
De Londrina
A sindicância interna que apura as responsabilidades dos policiais militares da Ronda Ostensiva de Natureza Especial (Rone), acusados de espancar a estudante F.O.S, de 17 anos, no dia 16 de novembro, em Londrina, deve durar mais uma semana. A sindicância deveria ser encerrada ontem mas, segundo informações do comando do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), os dois advogados – de defesa e acusação – que acompanham o caso pediram para que mais testemunhas fossem ouvidas. Os principais envolvidos na agressão, sargentos Rosa e Isacar, continuam afastados de suas funções e à disposição do oficial que conduz as investigações.
De acordo com o comando do 5º BPM, até o momento, já foram ouvidas 18 testemunhas, oito civis e 10 policiais envolvidos no caso. A demora na entrega do laudo de lesões corporais sofridas pela adolescente também teria contribuído para o atraso no encerramento do processo. O laudo foi entregue ao oficial responsável pela sindicância apenas na última quarta-feira.
Segundo o chefe do Instituto Médico-Legal, Antônio Carlos de Queiroz, o laudo pericial está pronto desde o dia 26 e já foram encaminhadas cópias para a Polícia Militar e para a Polícia Civil.Porém, não quis adiantar qual foi o resultado da perícia. ‘‘Existe um sigilo pericial que não pode ser quebrado a não ser para as partes envolvidas. Se a família quiser, podemos fornecer uma cópia, mas só a ela ou a seu advogado’’, explicou.
Segundo o advogado da família da menor, Vlamir Antônio da Silva, o pedido de prorrogação teria partido do advogado de defesa. ‘‘Os acusados mudaram recentemente de advogado e o novo pediu para ouvir todas as testemunhas novamente’’, explicou. Segundo ele, hoje, durante todo o dia, as testemunhas serão ouvidas novamente na sede da corporação. ‘‘Mas acredito que até na próxima quarta-feira, o tenente Campos, que conduz as investigações, deve entregar seu relatório ao comandante da Polícia Militar’’, afirmou.
Silva explicou que entregou à comissão de sindicância farto material documental para comprovar a idoneidade da adolescente. ‘‘Andaram espalhando boatos que a garota era irresponsável e causadora de problemas, inclusive na escola. Mas, junto com as fotos das lesões sofridas e o laudo do Hospital Universitário, onde F.O.S foi atendida, entregamos também uma lista com 120 assinaturas colhidas na escola, em apoio à garota’’, afirmou.
A mãe de F.O.S., Vanda de Oliveira Santos, disse ontem à Folha que tudo está parecendo um pesadelo. ‘‘Não vejo a hora disto acabar e que os culpados sejam punidos. Minha filha, que era tão alegre e risonha, hoje vive triste e com medo de tudo. Ela está com depressão’’, contou. Segundo Vanda, a menina continua sentindo fortes dores na coluna e cabeça, resultado do espancamento. O inquérito policial, que está sendo conduzido pela Delegacia da Mulher ainda está em fase de ouvir testemunhas.
F.O.S. foi agredida por policiais militares da Rone na noite do dia 16 de novembro quando saía da Escola Estadual Professora Behair Edna Mendonça, no Jardim Paraíso (zona norte), após reclamar da velocidade desenvolvida por uma das viaturas. A garota resistiu a prisão e foi agredida pelos sargentos Isacar e Rosa, enquanto outros policiais enfrentavam a multidão que assistia a tudo.

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