Sindicância apura denúncia em concurso da Unioeste
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quarta-feira, 23 de maio de 2001
Gilmar Agassi De Cascavel 
O Conselho Universitário da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), aprovou ontem sindicância para apurar denúncia de irregularidades no concurso vestibular para a extensão de Francisco Beltrão. Para isso, foi instituída uma comissão que terá 15 dias para apresentar um relatório sobre o que for apurado e sugerir encaminhamentos.
As denúncias de irregularidades no último vestibular para Francisco Beltrão foram levantadas pelo ex-diretor de concurso da universidade, Carlos Alberto Piacenti. Segundo ele, o concurso realizado em 18 de fevereiro chamou sua atenção quando a relação das notas foi divulgada. Pelos corredores da Unioeste fiquei sabendo que os quatro primeiros colocados passaram com a mesma nota. Ao investigar quem seriam os aprovados, descobri que os mesmos eram funcionários da instituição, afirma.
Os quatro funcionários aprovados foram Lisdafferson Hamann Andrade, Kleber Farinazo Borges, Itamar Farinazo Borges, no curso de Técnico Administrativo, e Gilberto Domingo Periolo, no curso de Técnico de Finanças. Piacenti levanta a hipótese de que os funcionários tiveram acesso às provas ou ao gabarito para que pudessem ser aprovados. Cola não poderiam levar para a sala de aula, completa.
O ex-diretor de concurso diz que acompanhado de mais dois professores da Unioeste foi até a sala onde as provas estavam e, depois de quase ser barrado, verificou que as provas dos quatro aprovados tinham sido preenchidas apenas com bolinhas de ponta a ponta.
Piacenti decidiu registrar a denúncia no Ministério Público que solicitou à reitoria da Unioeste que fossem entregues as provas do concurso. Até o momento, o promotor Carlos Alberto Choinski não teve acesso as mesmas, pois recebeu a informação de que as provas teriam sido enviadas para a Secretaria Estadual de Ensino e Tecnologia, em Curitiba.
Os membros do Conselho Universitário acreditam que as atitudes devem ser tomadas no sentido de resgatar a credibilidade da instituição junto à sociedade.
Farão parte da Comissão de Sindicância representantes dos cinco campi da universidade, além de dois acadêmicos. Não podemos esperar apenas que a Justiça comum e o governo do Estado tomem providências. Temos que acompanhar de perto as investigações e cumprir com nossa responsabilidade, ressalta Paulo Sérgio Wolff, membro do Conselho.
A reitora Liana Fuga afirma estar tranquila quanto às acusações de irregularidades no vestibular. Ela observa que entre as denúncias estavam que alguns parentes haviam sido beneficiados no concurso. Não sei de onde tiraram essa história, pois se não sabem todos meus parentes já são falecidos. Ao final da sindicância tudo ficará esclarecido, conclui.


