O juiz Evandro Luis Camparoto, do Fórum de Porecatu, ainda não decidiu sobre o pedido de liberdade provisória do presidente do Sindicato dos Rodoviários de Londrina, Evanildo Pinto Rodrigues, e dos diretores Daniel Malaquias e Claudemir Arriero, presos por policiais civis no último sábado com R$ 100 mil em dinheiro e um cheque ao portador no valor de R$ 100 mil. Os sindicalistas são acusados de extorquir a Usina Central do Paraná, ameaçando os diretores da empresa de deflagração de greve e dilapidação de patrimônio. O crime, de acordo com o artigo 158 do Código Penal, é inafiançável e a pena é de 4 a 10 anos de reclusão, além de multa.
Conforme um dos advogados de defesa dos sindicalistas, Osvaldo Pessoa Cavalcanti e Silva, o pedido de liberdade provisória foi enviado ontem pelo juiz ao Ministério Público. A promotoria, informou o advogado, requisitou documentação que comprove os antecedentes criminais dos sindicalistas presos. Silva disse que providenciou os atestados e o pedido de liberdade voltou ao juiz, que deve decidir sobre o caso. Ontem à tarde, o outro advogado de defesa, André Luiz Salvador, informou que foi até Porecatu para levar o restante da documentação necessária. Ele acredita que até sexta-feira o juiz deva decidir sobre a soltura de seus clientes.
O delegado de Porecatu, Fátimo de Siqueira, informou que o presidente do Sindicato dos Rodoviários de Londrina, Evanildo Pinto Rodrigues, recebeu ontem no início da manhã a visita da esposa e do filho. Os sindicalistas foram presos saindo de um prédio onde funciona a Rádio Brotense, de propriedade da usina, com o dinheiro numa sacola e o cheque da conta pessoal do diretor- geral da usina, Jayme Planas Navarro. O diretor administrativo da usina, Glauco Miguel Ferrigno, gravou duas fitas cassete nas quais Rodrigues diz que pretende fazer uma ‘‘monografia’’ com 200 laudas. O sindicalista cursa direito em Presidente Prudente (SP).
Os sindicalistas negaram a extorsão e disseram que o dinheiro que receberam refere-se ao pagamento de dívidas de contribuição sindical. Segundo Rodrigues, desde 1997 a usina não repassa ao sindicato as taxas que são descontadas do salário dos empregados. O montante da dívida, segundo a tesouraria do Sindicato dos Rodoviários, chegaria a R$ 212 mil.
Rodrigues alega que pegou os R$ 100 mil em dinheiro e iria assinar um recibo na presença de um representante do sindicato de Porecatu. O cheque de R$ 100 mil, segundo Rodrigues, seria entregue à Apae por exigência do diretor administrativo da usina, Glauco Miguel Ferrigno. Conforme denúncias de funcionários, só é contratado para trabalhar na empresa quem aceita uma rifa compulsória de cerca de R$ 40,00, valor descontado na folha de pagamento. O dinheiro seria entregue à Apae de Porecatu.

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