Sindicalistas depõem e negam extorsão
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quarta-feira, 04 de julho de 2001
Edna Mendes De Londrina 
Os três sindicalistas presos em Porecatu (85 km ao norte de Londrina) acusados de extorquir a Usina Central Paraná, produtora de açúcar e álcool, prestaram depoimento ontem ao juíza Adriana Carrilho Danna. O presidente licenciado do Sindicato dos Rodoviários de Londrina, Evanildo Pinto Rodrigues, afirmou em depoimento que foi ameaçado de morte pelo diretor da usina Glauco Ferrigno. Hoje, os advogados que defendem os sindicalistas vão entrar com pedido de habeas-corpus no Tribunal de Alçada.
Ontem, surgiu uma nova denúncia contra Rodrigues. A usina também o acusa de ter recebido R$ 110 mil da empresa em novembro de 1999 para que ele evitasse que os empregados, em greve por causa de salários atrasados, tumultuassem o casamento de Jaime Navarro, um dos diretores da usina. O sindicalista disse que desconhecia o fato e que na ocasião apenas conteve os ânimos dos grevistas através de um sistema de som. Os sindicalistas também estão sendo acusados de oferecer propina, cerca de R$ 50 mil, à Polícia Civil para que não fossem presos.
O depoimento de Rodrigues, Daniel Malaquias e Claudemir Arriero durou cerca de três horas. Rodrigues foi o primeiro a ser ouvido e negou que tenha tentado extorquir a usina. Ele disse que quando chegou no local combinado com Ferrigno para prosseguir com as negociações foi surpreendido com a ameaça de morte. Ele abriu uma gaveta, me mostrou um revólver e disse que se eu não pegasse o dinheiro ele me mataria, afirmou chorando durante o depoimento.
Rodrigues confirmou que vinha fazendo negociações com Ferrigno para que a usina pagasse uma dívida de aproximadamente R$ 200 mil que a empresa tem com o sindicato. Ele disse que quando chegou ao prédio de um antigo seminário, de propriedade da usina, foi recebido por Ferrigno que o chamou para que concluir as negociações. Eu disse que preferia esperar meus companheiros, mas ele me convenceu a entrar enquanto eles não chegavam. Foi aí que fui ameaçado e ele me entregou um pacote com o dinheiro, disse. Rodrigues disse que não relatou a ameça no depoimento à polícia porque teve medo.
Os outros dois sindicalistas também negaram qualquer tentativa de extorsão. Malaquias disse que foi até o antigo seminário a pedido de Rodrigues que lhe informou que a usina estava disposta a negociar com o sindicato. A usina está querendo denegrir a imagem do sindicato. Acredito que seja em represália da paralisação ocorrida em janeiro, disse. Arriero também negou todas as denúncias.
Glauco Ferrigno negou que tenha ameaçado Rodrigues. Sou católico fervoroso e jamais ameaçaria alguém, disse. Para que os sindicalistas fossem presos, Ferrigno preparou um flagrante e acionou a polícia. Ele também gravou as conversas telefônicas que fez com o sindicalista. Nelas, os dois não falam diretamente em recebimento de dinheiro. Rodrigues diz que a monografia que estaria fazendo tinha que sair com 200 laudas. Ferrigno teria entregue a Rodrigues R$ 100 mil em dinheiro e um cheque ao portador também de R$ 100 mil.


