Sindicalista, hoje na oposição, foi cabo eleitoral do prefeito
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terça-feira, 24 de dezembro de 1996
Da Redação 
O presidente do Sindiserv, Gláudio Renato de Lima, já foi cabo eleitoral do então candidato a prefeito Luiz Eduardo Cheida (PT), em 92. Fiz campanha, sim. Pedi muito voto para ele, mas naquela época ele tinha um brilho nos olhos e muita vontade de fazer. Hoje o prefeito se mostra um oportunista, inábil para o poder, ataca.
Mas Lima reconhece que o prefeito tem seus méritos. Eu acho que ele concilia competência com o extremo da incompetência. Competência porque conseguiu triplicar a arrecadação sem aumentar os impostos. Incompetência porque afundou a Prefeitura em dívidas. Faltou planejamento, avalia.
Ele lembra que, em 94, a Prefeitura contratou o economista Amir Khair para um estudo que propôs o corte de gastos, incluindo a extinção de secretarias. Mas na prática isso não aconteceu, assim como o estudo encomendado pelo Sindserv ao Dieese propondo redução de despesas. A Prefeitura poderia economizar até R$ 1 milhão por mês com o estudo do Dieese, diz Lima. Ao invés de aproveitar o estudo, Gláudio de Lima disse que a prefeitura estava utilizando-o como bloco de rascunho.
Lima assume que as divergências entre o Sindicato e o prefeito se acirraram no início de março, quando a Prefeitura atrasou o pagamento do funcionalismo. O que a gente sempre achou estranho foi que a Prefeitura sempre comunicou primeiro a imprensa e depois o sindicato, acusa. Mas ele admite que a briga esquentou no dia 18 de março, quando o Sindicato ingressou com uma denúncia na Justiça contra o prefeito por apropriação indébita. Ele estava fazendo os descontos de previdência e saúde na folha de pagamento, mas não repassava à Caapsml, relembrou. Segundo o sindicalista, a ação está agora no Tribunal de Justiça, que acolheu a denúncia.
Ontem, Lima se encontrou com o prefeito eleito, Antonio Belinati (PDT). Belinati disse que foi ao sindicato fazer uma visita de cortesia e, quando se deparou com o desespero do funcionalismo, fez um apelo dentro do espírito natalino aos empresários do setor supermercadista para que aceitem os tíquetes de compra dos servidores para a aquisição da cesta básica. Quero registrar que não é ingerência na atual administração e sim uma forma de amenizar as dificuldades dos servidores, ressaltou o prefeito eleito. Belinati assumiu o compromisso de acertar as pendências com os mercados até o dia 10 de janeiro.
Segundo ele, os supermercados que aceitarão os tíquetes são Muffatão e Viscardi. Apelo aos demais proprietários de mercados cadastrados pela Prefeitura para liberarem o fornecimento das cestas básicas.
(Patrícia Zanin)


