Sindicalista e família são presos por cobrar propina
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quinta-feira, 25 de julho de 2002
Sid Sauer<br> Equipe da Folha 
Iretama - O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Iretama (65 km ao sul de Campo Mourão), João Batista Moreira, a mulher dele, Juliana Lacerda de Brito, e uma filha dela, Sandra Regina de Brito, foram presos anteontem à noite acusados de cobrar propina para dar entrada a processos de aposentadoria de trabalhadores rurais. Os três trabalham no sindicato.
A prisão foi decretada pela juíza substituta Sandra Regina Bittencourt Simões, que acatou pedido do Ministério Público. Segundo a denúncia, o sindicato cobrava taxas de até R$ 680,00 para iniciar o processo de aposentadoria. O delegado de Iretama, Wilson Pepino, informou que o valor era menor aos moradores do município - de R$ 30,00 a R$ 250,00.
Uma atendente do sindicato confirmou em depoimento à polícia que a taxa era cobrada por ordem de Juliana. A funcionária chegava a explicar aos trabalhadores rurais que era preciso fazer a cobrança porque os donos de propriedades rurais que cediam declarações ao sindicato tinham medo de ser descobertos.
Na denúncia feita pela promotora Rosana Araújo de Sá Ribeiro Pereira, Moreira, a mulher a e filha dela são acusados de estelionato e, se condenados, podem pegar de um a cinco anos de prisão. Há duas semanas, quando o assunto veio a público, Moreira negou que houvesse a cobrança, mas uma emissora de televisão filmou com uma câmera escondida a exigência da propina.
No final de abril, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Corumbataí do Sul (51 km a leste de Campo Mourão), José Estevam do Amaral, foi preso em flagrante pelo Ministério Público pela mesma acusação. Ele ficou 22 dias na cadeia. Amaral é vereador na cidade e poderá ser cassado por causa da denúncia em sessão que será realizada na próxima terça-feira.


