Sindicalista é executado com 10 tiros
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domingo, 15 de março de 1998
Vânia Casado Curitiba 
Albari RosaSilva foi morto sábadoO presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc), Aristides da Silva, de 48 anos, foi assassinado a tiros na noite do último sábado em Itapoá (Litoral de Santa Catarina). A diretoria do Sindimoc afirma que o crime foi encomendado e suspeita que o mandante seja o ex-presidente do sindicato José Martins Costa, que já teria ameaçado de morte o advogado do sindicato. Silva era casado e tinha um filho.
O diretor do Sindimoc José Paulo Bonfim estava junto com Silva na Colônia de Férias do Sindimoc, em Itapoá, quando ocorreu o crime. Ele sustenta que Silva foi vítima de uma cilada. O serviço foi de profissional, conta. Segundo ele, Aristides da Silva, que era conhecido como Tigrinho, costumava ir para Itapoá todo final de semana, porque sua esposa estava administrando o bar da colônia. Na noite de sábado, ele estava no bar, junto com a esposa e outras duas pessoas. Por volta de 23h30, chegaram duas pessoas desconhecidas, que pediram uma cerveja e um maço de cigarros.
Albari RosaSilva atendeu, eles pagaram, e em seguida o presidente do Sindimoc foi sentar-se à mesa junto com os dois clientes que já estavam no bar, enquanto os desconhecidos se dirigiam ao banheiro. Quando saíram do banheiro, um deles já saiu atirando e praticamente descarregou a arma sobre Aristides Silva, que morreu no local.
Segundo Bonfim, foram dez tiros - o primeiro acertou a nuca e o segundo, as costas de Silva. O detalhe, conforme conta Bonfim, é que Aristides estava no meio das duas pessoas com quem conversava e somente ele foi atingido. Nada foi roubado do bar, nem das pessoas presentes. Os criminosos fugiram num carro branco, parecido com uma Parati, conforme Bonfim.
Aristides da Silva havia assumido a presidência do Sindimoc há três anos, após a saída conturbada do ex-presidente José Martins Costa, que na época foi acusado de corrupção e desvio de dinheiro. Bonfim conta que desde que Silva assumiu, o sindicato não conseguiu trabalhar direito, porque tudo que fazia enfrentava dura oposição de três grupos políticos que disputam a liderança do sindicato. Um deles é o grupo de Martins Costa.
Albari RosaPor encomendaJosé Paulo Bonfim, diretor do Sindimoc (ao lado), acusa ex-presidente do Sindicato: O serviço foi de profissional. O corpo de Aristides Silva foi velado na Capela Nossa Senhora da Luz (acima)O corpo de Aristides da Silva foi velado ontem na Capela Nossa Senhora da Luz, em Curitiba, e será sepultado hoje às 10 horas no Cemitério São João Batista, em São José dos Pinhais.
A Folha tentou ouvir ontem o ex-presidente do Sindicato, mas o nome de José Martins Costa não consta na lista telefônica. O serviço de informações também não estava autorizado a informar o número.


