O presidente do Sindicato das Classes Policiais Civis do Paraná (Sinclapol) e da Federação Sul-Sudeste dos Sindicatos das Classes Policiais Civis, Paulo Roberto Martins, que também é policial de carreira, diz que a repressão institucional e a precariedade do Sistema Nacional de Segurança Pública são os principais motivadores do desvio comportamento dos policiais civis e militares. ''Questão salarial não é. Tem juízes e desembargadores que ganham muito bem e se envolvem com o crime. O que precisamos é de renovação no sistema de segurança pública'', afirma.
''Estamos em plena democracia, mas ainda vivemos num militarismo do tempo da ditadura. O policial militar não aguenta as pressões internas, a submissão diária aos oficiais. O crime aparece como libertador, muitas vezes. Não estou tentando justificar; quero mostrar que temos que melhorar o sistema, treinar os policiais e acabar com o militarismo para fazer com que haja menos problemas internos nas corporações'', pondera.
''Nosso sistema de segurança é arcaico. A Polícia Militar precisa ser modificada. O pessoal deve estar uniformizado, mas precisamos dar condições para que os policiais militares investiguem e previnam o crime. Temos 600 mil policiais no Brasil e uma criminalidade crescente. Não é a quantidade o problema. Algo está errado, e é a forma de se fazer polícia no Brasil'', comenta.
Martins quer que a Polícia Civil também sofra modificações, que iriam desde a uniformização nacional até a qualificação profissional. ''Temos que ter polícias militar e civil no Brasil nos moldes da Polícia Federal. O que falta aos nossos policiais é capacidade de investigar, sem repressão interna''.(L.P.)

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