A febre pela iluminação de Natal, sobretudo nas fachadas de edifícios comerciais e residenciais, inflacionou o preço da mão-de-obra praticada pelos eletricistas. A constatação é da síndica do edifício Costa Azul, Juliana Minatti. O prédio tem 15 andares e está localizado na rua Hugo Cabral (centro).
Segundo a síndica, foram feitos três orçamentos para uma iluminação simples - fios de luz horizontais na fachada - mas todos estiveram com valor muito alto. ‘‘Um enfeite no prédio fica no mínimo em R$ 600, contando lâmpadas, instalação e mão-de-obra. Por isso a maior parte dos condôminos resolveu não fazer.’’
Para que o prédio não ficasse ‘‘apagado’’ durante o período natalino, Juliana Minatti conta que eles mesmos compraram lâmpadas e providenciaram a instalação, com ajuda dos funcionários. ‘‘Nós vamos reverter esse dinheiro que seria empregado para outras prioridades.’’
A preocupação da síndica do Costa Azul chegou até a Associação Comercial e Industrial (Acil), organizadora da iluminação de Natal na Cidade, que já pensa em tomar providências para que no próximo ano sejam evitados abusos nos preços. Segundo o presidente da Acil, Abílio Medeiros, a idéia é promover cursos em parceria com o Senac, durante o ano, para aumentar a mão-de-obra. ‘‘Mas a questão é mercadológica e estamos orientando os síndicos para pedir mais de um orçamento. Agora, tem síndico que pede um só orçamento e já desiste’’, adverte Medeiros.
Ele observa que alguns profissionais que se destacaram ano passado ficaram muito requisitados e que isso contribuiu para o aumento do valor da mão-de-obra. ‘‘Se não fossem os preços, com certeza a Cidade estaria mais bonita. Tem eletricista que chegou a cobrar R$ 3,5 mil pela iluminação de um só prédio’’, admite Alexandre Daibem Arruda, um dos coordenadores da equipe que prestou assessoria técnica na Acil para a elaboração dos trabalhos de iluminação.
Desde outubro, um grupo de 12 estagiários do curso de Arquitetura da UEL e do Cesulon - em convênio com a Acil - estiveram à disposição da comunidade para elaboração de projetos de iluminação. O assessor de eventos da Acil, Alexandre Blaitt, contabilizou até ontem um total de 534 projetos, contando alguns que foram encaminhados para cidades como Natal (RN) e Maceió (CE). A associação não tem dados sobre quantos desses projetos foram executados ou não.
O eletricista João Batista Hipólito de Almeida, responsável - entre outros projetos - pela iluminação da ‘‘Casa do Papai Noel’’, afirma que baseia seu orçamento em dois itens: a dificuldade para realizar o trabalho e também o número de lâmpadas, que em alguns casos necessitam de cálculos para que sejam colocadas de maneira adequada. Por isso, garante, ‘‘cada projeto é um projeto’’.
Batista acrescenta que existem outros fatores que podem pesar no orçamento, como por exemplo a manutenção do serviço. ‘‘Tem gente que só cobra pela montagem, por isso fica mais barato. Mas nós temos que ficar 30 dias à disposição do cliente.’’
Outro eletricista, Davi Golveia Duarte, garante está cobrando o mesmo preço pela mão-de-obra que praticou ano passado. ‘‘Mas um serviço é diferente do outro. Tem síndico que quer tudo na iluminação, outro tem um projeto mais difícil. Por isso não dá para avaliar.’’ Davi Duarte foi o responsável pela iluminação do edifício Terra dos Imigrantes, que levou o prêmio dado pela Acil de melhor iluminação em 95.

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