Um dos principais motivos das constantes fugas que ocorrem em Curitiba é a superlotação das cadeias públicas. De acordo com os dados do Conselho da Comunidade, cerca de 5 mil presos estão em delegacias e distritos policiais em todo o Paraná. Somente na Região Metropolitana de Curitiba são 1.227 presos. Cerca de 25% deles são condenados e aguardam uma vaga no sistema penitenciário.
Os distritos com maior quantidade de presos são o 3º (142 internos e apenas 40 vagas), 8º (150 presos e 40 vagas) e 11º (133 presos e 44 vagas). As condições de higiene, alimentação e saúde são precárias. Muitos internos sofrem de micoses, problemas respiratórios, doenças venérias, Aids, hanseníase, epilepsia, transtornos mentais, sarna, tuberculose e pneumonia. ‘‘A situação é caótica’’, denunciou Luis Bordenowski, presidente do Sindicato das Classes Policiais do Paraná (Sinclapol).
Em Foz do Iguaçu, a situação do ‘‘cadeião’’ também é complicada. Segundo o Sinclapol, há 460 presos para apenas 130 vagas em 26 celas. ‘‘Uma equipe de apenas três policiais civis cuida da cadeia por turno. Como evitar as fugas? Temos nas ruas a cada dia homicidas, traficantes e estupradores’’, alertou Bordenowski, que já entrou com um mandado de segurança na Justiça solicitando a remoção de todos os presos de distritos e delegacias de Curitiba. O pedido, impetrado há quatro meses, deve ser julgado pelo desembargador Telmo Cherem.
Bordenowski criticou ainda a falta de policiais nos plantões dos fins de semana e da madrugada. ‘‘O efetivo policial cai a cada ano’’, declarou. Em 1985, a corporação mantinha 5 mil policiais. ‘‘Hoje são pouco mais de três mil, contando os burocratas. Temos 1,2 mil investigadores e 700 escrivães’’. Ele alertou ainda que 400 pedidos de aposentadoria de policiais civis já estão sendo analisados e deverão ser despachados nos próximos dias.
Para lutar por melhoria dos direitos dos presos e dos policiais civis, o Sinclapol criou na semana passada o Centro de Defesa dos Direitos Humanos da Polícia Civil, o primeiro do Brasil. O Conselho da Comunidade também iniciou as atividades de auxílio no 11º DP de Curitiba. ‘‘Vamos trabalhar para a reforma da carceragem e levar uma sala de atendimento aos familiares dos presos, para tornar as condições de vida dos detentos mais humanas’’, afirmou Luiz Nascimento, advogado e presidente do conselho.
A Secretaria Municipal de Saúde também iniciou um trabalho com os presos para diagnosticar doenças e encaminhar os doentes para triagem. ‘‘Temos que fazer o que pudermos para evitar os problemas internos dos distritos e delegacias. Uma coisa é certa: a cadeia com mais de 70 presos fica incontrolável e os presos é que acabam controlando a delegacia’’, criticou Nascimento.

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