Dimitri do Valle
De Curitiba
A superlotação carcerária nas delegacias de Curitiba será questionada hoje na Justiça. O Sindicato das Classes Policiais Civis do Paraná (Sinclapol) ingressa com mandado de segurança às 10 horas no Tribunal de Justiça para defender a retirada dos cerca de 750 presos dos distritos policiais da capital. A ação será impetrada contra a Secretaria de Estado da Justiça.
O presidente do Sinclapol, Luiz Bordenowski, justifica que ‘‘a permanência dos presos nas delegacias fere a Lei de Execuções Penais’’. Ele entende que há vagas para os detentos na Penitenciária Central do Estado, em Piraquara, e Prisão Provisória de Curitiba. Bordenowski diz que os policiais de plantão nos distritos estão impedidos de realizar investigações, pois são obrigados a cuidar dos presos.
‘‘Era uma situação ilegalmente tolerada até agora, mas a Polícia Civil não está podendo cumprir o seu papel, que é a investigação dos crimes’’, comenta o presidente do Sinclapol. Ele cita que há uma grave contradição entre o número de policiais civis e presos em delegacias no Estado. ‘‘São 4,7 mil presos recolhidos nas delegacias do Paraná para um efetivo de 3,6 mil policiais. É uma situação absurda’’, compara.
Nas delegacias, Luiz Bordenowski ressalta que os presos passam uma sensação de insegurança para a população. Se os detentos permanecerem onde estão, o policial acredita que muitos daqueles que sofrem de Aids e tuberculose têm menores chances de receberem tratamento médico do que numa penitenciária. Sobre as precárias condições dos presos que estão nos distritos, a seccional Paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) reúne a imprensa hoje, às 9h30, para revelar divulgar um dossiê de 600 páginas. O documento vai apontar irregularidades descobertas nas cadeias, como maus tratos aos presos, violações de tratados internacionais e superlotação. A OAB defende a intervenção de todos os distritos policiais. Foram ouvidos policiais, detentos e familiares dos presos para embasar as denúncias.

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