As perspectivas de diminuição do número de acidentes de trânsito em Londrina não poderiam ser mais pessimistas. Os órgãos responsáveis fazem côro para dizer que a situação só vai melhorar quando os motoristas deixarem de ser imprudentes. O problema é que a imprudência vem resistindo a tudo, até às inúmeras penalidades impostas pelo Código Brasileiro de Trânsito a partir de 1998.
O crescimento do número de mortes em acidentes no mês passado, divulgado esta semana pela Companhia de Trânsito (Ciatran) de Londrina e mostrado pela Folha, é apenas uma pequena mostra da falta de soluções para a violência nas vias urbanas da cidade. Observando as estatísticas dos últimos três anos, constata-se um aumento gradativo do total de acidentes no trânsito londrinense. Foram 5.594 em 2002, 5.883 em 2003 e 6.336 em 2004. O número de feridos subiu de 2.357 em 2002 para 2.845 no ano passado. Ainda que, em parte, esses dados reflitam o aumento da frota de veículos na cidade, a evolução é preocupante.
A população pede sinalização e soluções viárias. Quer mais rotatórias, passarelas, duplicações. Os campeões de pedidos são os semáforos e quebra-molas, estes últimos já proibidos pela legislação. Para o diretor de trânsito da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Álvaro Grotti Júnior, Londrina é uma cidade bem sinalizada e com boa estrutura viária. O que falta é conscientização dos motoristas.
''Instalar semáforos, por exemplo, é uma das últimas alternativas que utilizamos. Além de serem equipamentos caros, eles engarrafam o trânsito e a própria população reclama depois'', defende o diretor. Ele ressalta que a CMTU vem desenvolvendo campanhas e palestras em creches, escolas e associações para educar condutores e pedestres.
Para o chefe da Ciatran, segundo-tenente Ricardo Eguedes, onde houver grande concentração de veículos continuará havendo acidentes, não importa quantas melhorias viárias ou sinalizações sejam feitas. ''98% dos acidentes são provocados pelos condutores. Essa realidade só vai mudar com conscientização. É meio utópico, mas não há outra forma''.
Ao citar as atitudes dos motoristas que poderiam amenizar os problemas de trânsito, Grotti e Eguedes recomendam que as pessoas utilizem mais o transporte coletivo, cujo aumento recente de tarifa - atualmente em R$1,90 - só fez desencorajar os usuários. O chefe da Ciatran também aconselha o uso do ''transporte solidário'': se vários vizinhos têm carros próprios mas vão para um mesmo destino, eles podem se revezar dando caronas uns aos outros.

mockup