Organizar o fluxo de veículos em uma cidade como Londrina é um desafio. A sinalização das vias, que deveria ser uma das formas de orientar motoristas e pedestres, às vezes é confusa e chega a colaborar para que o caos no trânsito seja cada vez maior. A reportagem da FOLHA percorreu alguns pontos da cidade e encontrou sinalizações inadequadas em diversos trechos.
A resolução nº 236 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), de 11 de maio de 2007, explica que a sinalização horizontal tem a finalidade de orientar os usuários sobre a utilização adequada da via. Diante disso, como explicar uma sinalização horizontal de ''Pare'' no meio de uma rotatória? Isso acontece no cruzamento da Avenida Ave Imperial com a Rua Cardeal Vermelho, no Jardim Paraíso, ao lado do Lago Norte (Zona Norte).
O motorista de caminhão Eliezer Mota mora próximo ao local e revelou que já testemunhou cinco colisões naquele ponto. ''Eu nunca vi um negócio desses. Isso faz com que os motoristas que estão na rotatória parem de repente e os carros que vêm atrás acabem acertando o da frente.''
A regra geral de circulação é que a preferência de passagem é dos condutores que estão circulando na rotatória, mesmo que a interseção não esteja sinalizada. Portanto, a indicação para que se pare enquanto o carro transita pela rotatória é inapropriada.
Mota acresentou que o local está assim há seis meses, desde que a Prefeitura aumentou uma rotatória que existia no local. ''Já falei com o pessoal da CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização), mas ninguém toma providências'', reclamou. Além desse problema, a faixa de pedestres também está fora dos padrões, conduzindo o pedestre para o meio da rotatória. É muito estranha'', criticou.
Em outro ponto da cidade, os motoristas que transitam pela Avenida Jamil Scaff - sentido Rua Mituo Morita-Avenida dos Pioneiros, no Conjunto Alexandre Urbanas (Zona Leste) - se deparam com uma seta indicando o fluxo no sentido oposto ao da via.
Isso acontece porque a Jamil Scaff era duplicada somente até a Rua Antônio Euclydes Sapia, mas depois essa duplicação foi estendida até a Avenida dos Pioneiros. O problema é que a sinalização antiga não foi apagada e alguns motoristas acabam se confundindo.
A comerciante Regina Correa já perdeu as contas de quantos acidentes já presenciou no local. ''Muitos motoristas acham que a via ainda não está duplicada e acabam invadindo a outra pista'', aponta.
No Jardim Interlagos (Zona Leste) acontece um problema semelhante. Depois que a Rua Santa Terezinha foi duplicada, nas proximidades da antiga Anderson Clayton, muitos motoristas passaram a circular pela pista nova, mas outros continuam transitando em pista única, o que acaba complicando o trânsito na via, principalmente em horários de pico.
A vendedora Josi Fernandes testemunhou cinco acidentes no cruzamento da via com a Avenida Theodoro Victorelli. ''Aqui está mal sinalizado. No horário de pico fica tudo complicado, pois cada motorista acaba adotando uma faixa diferente'', destacou. O ajudante de eletricista André Luiz Souza também constatou o problema e revelou que os principais transgressores são os moradores das ruas Cambui e Damasco, no Jardim Interlagos. ''Talvez por costume são eles que entram mais pela contramão'', informa.
Em trechos que foram recapeados recentemente o problema é a falta de pintura das sinalizações que delimitam as faixas de rolamento. Na rotatória da Avenida Maringá com a Castelo Branco (Zona Oeste) e em boa parte do trecho da Juscelino Kubitscheck, a falta das marcas de canalização desorienta os motoristas e induz a invadirem o espaço um do outro.
Gerente de restaurante na Avenida Maringá, Anderson Mizuno relata que a rotatória ficou complicada porque quem circula na faixa de dentro muitas vezes cruza na frente de outros veículos. ''Os motociclistas que trabalham com a gente têm reclamado desse problema'', destaca.

mockup