Cristine Pieske

Jonas de OliveiraErradoFalhas na sinalização estão até em frente à prefeitura, onde pinhões estilizados marcam incorretamente a faixa de pedestresA sinalização insuficiente das ruas e a colocação incorreta de placas e faixas de pedestres em Curitiba deverá tumultuar ainda mais a aplicação do Código de Trânsito Brasileiro. São vários os exemplos de falta de sinalização dos corredores de ônibus, ausência de indicadores do limite máximo de velocidade e de placas mostrando o sentido do tráfego em determinada rua. Os erros, grosseiros, podem ser vistos até mesmo em frente à Prefeitura Municipal, onde uma fileira de pinhões estilizados pintados no chão demarca incorretamente a faixa de segurança. ‘‘Esta marcação não tem qualquer valor oficial e desrespeita inclusive as regras nacionais de sinalização do trânsito’’, afirma o advogado, especialista em trânsito e assessor do Conselho Estadual de Trânsito (Cetran) Marcelo Araújo.
Segundo o advogado, as falhas na sinalização em Curitiba, além de provocar acidentes, podem ser usadas como argumento para a não aplicação de multas. O Código de Trânsito Brasileiro, no artigo 90, deixa claro que não podem ser multadas as infrações cometidas por erro ou ausência de sinalização. ‘‘O poder público não pode exigir coisas que o cidadão não tem como cumprir’’, diz o diretor da Diretran, órgão responsável pela fiscalização do trânsito em Curitiba, Kasuo Sakamoto.
Sakamoto admite que a prefeitura precisa dar atenção máxima à sinalização, alterando inclusive a colocação de placas e semáforos. ‘‘Até hoje Curitiba deu prioridade ao transporte coletivo, e agora o novo código exige que passemos a dar mais atenção aos pedestres’’, afirma. Para ele, a colocação de novas faixas de segurança e a repintura das já existentes é uma tarefa urgente, que deve ser feita para dar proteção aos pedestres e facilitar o cumprimento do código.
O assessor do Cetran aponta outros erros da sinalização em Curitiba, incluindo vícios de fazer marcações que ‘‘só os curitibanos sabem o que significam’’. Além dos pinhões transformados em faixa de pedestres, os corredores exclusivos para ônibus também são indicados incorretamente, sem os triângulos amarelos que indicam a faixa exclusiva. ‘‘Se o motorista não for avisado, poderá usar a faixa sem saber que está num lugar exclusivo de circulação de ônibus’’, diz Marcelo Araújo.
Desde o início do ano, o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) está fazendo um mapeamento dos pontos da cidade com falhas na sinalização. Na última sexta-feira, a prefeitura iniciou a troca das placas com os novos limites de velocidade no anel central da cidade.

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