Apesar de gasta, pintura que sugere vaga de estacionamento na Avenida Madre Leonia Milito "engana" motoristas
Apesar de gasta, pintura que sugere vaga de estacionamento na Avenida Madre Leonia Milito "engana" motoristas | Foto: Fotos: Anderson Coelho



Quando há uma alteração no sistema viário, é comum a prefeitura modificar a sinalização na pista para orientar os motoristas. Com uma tinta preta, uma equipe encobre a sinalização antiga e depois faz outra pintura com tinta branca ou amarela. O problema é que essa tinta preta sofre um desgaste com a circulação de veículos e a sinalização antiga fica visível novamente, causando uma certa confusão para os motoristas e pedestres.

O Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito, elaborado pelo Contran (Conselho Nacional de Trânsito), determina que a sinalização horizontal deve ser de fácil percepção, ser uniforme, visível e legível. No entanto, não é isso o que ocorre em algumas vias de Londrina. O porteiro Paulo Roberto Santos Almeida, que trabalha na avenida Madre Leonia Milito (zona sul), conta que uma antiga faixa de estacionamento foi suprimida e substituída pela sinalização de ciclovia. "Mas com o tempo a tinta preta foi saindo e a sinalização antiga voltou. Agora aparenta que tem uma vaga de estacionamento, embora a faixa amarela indique que é proibido estacionar. A gente tem ouvido reclamações de muitos motoristas que têm recebido multas aqui", aponta. No local, as pinturas de divisão das faixas da pista também ficaram confusas com a mistura da pintura antiga com a nova.

No cruzamento das ruas Pedro Botelho de Rezende e Ulisses Rodrigues da Silva (zona sul), há um sinal de "Pare" em lugar errado, pois ele é dos tempos em que a via recebia o fluxo da PR-445, quando a rodovia estava em obras. "Essa sinalização pode até confundir os motoristas. Aqui deveria ter um obstáculo, porque o pessoal passa em velocidade muito alta, a 90 km/h ou mesmo 100 km/h e essa sinalização errada pode atrapalhar", afirma o autônomo Olívio Opusculo de Campos, que mora nas proximidades.

Em 2012 o trânsito na rua Senador Souza Naves (área central) foi alterado a partir da rua da Canoagem, nas proximidades do Circo Funcart, para sentido único, mas a pintura amarela dividindo a pista permanece, já que a tinta preta que havia sido aplicada já está quase totalmente apagada. O resultado disso é confusão: a reportagem chegou a presenciar um motorista trafegando na contramão.
"O ideal é que a sinalização fosse correta, pois para quem é de fora e não conhece pode atrapalhar. Eu vejo isso em outros lugares, como na rotatória da avenida Ayrton Senna ou na PR-445, mas essa é apenas uma entre muitas coisas do trânsito de Londrina que precisam ser melhoradas, como o excesso de velocidade e a educação do motorista", afirma o economista Conrado Mayr de Araújo.

Há quem aponte que a sinalização antiga deve ser removida por meio de lixas ou com uma outra cobertura asfáltica, já que a sinalização recoberta fica escorregadia. Carlos Alexandre Doloveti realiza entregas de motocicleta e conta que já escorregou sobre a pintura preta de uma faixa de pedestres que teve o seu local alterado.

Marginal da PR-445: pintura da época em que a via recebia o fluxo da rodovia
Marginal da PR-445: pintura da época em que a via recebia o fluxo da rodovia



LIXA
O especialista em trânsito Sérgio Dalben, que já foi diretor de trânsito da CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização), destaca que o problema é antigo. "As tintas para finalização da sinalização horizontal são diferenciadas e duram mais do que as outras. O poder público, quando faz a aquisição das tintas, esquece de programar a aquisição de um tipo de material que possa cobrir essas tintas no caso de alteração viária", aponta.

Ele explica que o ideal seria lixar a tinta anterior e passar uma tinta forte o suficiente para penetrar o asfalto. "Se não tem o material que cubra definitivamente a sinalização anterior, tem que ter algum mecanismo para cobrir a sinalização antiga constantemente", recomenda.

CMTU pretende adquirir máquina para retirar a tinta
O diretor de trânsito da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização, Hemerson Pacheco, afirma que a CMTU já detectou o problema do ressurgimento das sinalizações antigas. "Estamos verificando a possibilidade de compra de uma máquina que faz um clareamento dessa sinalização, com uma escova que funciona como se fosse uma lixa que faz a retirada da tinta. Conforme o orçamento da empresa, pretendemos adquirir esse equipamento em 2018, pois temos percebido que causa desconforto e repetição de sempre passar essa tinta preta", aponta.

Aos que alegam que a tinta preta é mais escorregadia que o normal, Pacheco afirma que isso não é real. "É a mesma tinta utilizada para fazer a pintura da sinalização", aponta. Ele admite que essa tinta é escorregadia quando está molhada, por isso a necessidade de passar em baixa velocidade e com cuidado.

Sobre as pessoas que param na antiga vaga de estacionamento da avenida Madre Leonia Milito, ele reforça que a faixa amarela está lá, determinando a proibição. O mesmo se aplica quando existe placa proibindo estacionar e não tem pintura amarela.

Sobre os veículos que percorrem o trecho da Rua Souza Naves na contramão, Pacheco diz que o problema não é a sinalização antiga. "Há de se ressaltar que existe sinalização nova no local e quem está fazendo essa ilegalidade de circular na contramão faz isso deliberadamente para diminuir percurso. Primeiro colocamos tachão indicando que o motorista não poderia virar à esquerda e os motoristas começaram a passar por cima. Depois colocamos tachinha para sinalizar melhor e o pessoal continuou passando por lá. Decidimos colocar prismas de concreto, e as pessoas acabaram tirando eles para fazer conversão errada. A questão da dupla sinalização causa confusão para quem mora fora da cidade, mas essas irregularidades têm sido cometidas por quem vive aqui e faz isso deliberadamente. O infrator faz o errado e sabe disso", critica.

O mesmo argumento ele aplica para quem continua atravessando no local da antiga faixa de pedestres, próxima da rotatória da rodoviária. "É uma questão de comportamento. Foi pintada uma nova faixa e outro local, mas as pessoas, mesmo com risco, insistem em atravessar no antigo local", aponta. (V.O.)

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