Sinalização antiga confunde motoristas
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quarta-feira, 18 de outubro de 2017
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 

Quando há uma alteração no sistema viário, é comum a prefeitura modificar a sinalização na pista para orientar os motoristas. Com uma tinta preta, uma equipe encobre a sinalização antiga e depois faz outra pintura com tinta branca ou amarela. O problema é que essa tinta preta sofre um desgaste com a circulação de veículos e a sinalização antiga fica visível novamente, causando uma certa confusão para os motoristas e pedestres.
O Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito, elaborado pelo Contran (Conselho Nacional de Trânsito), determina que a sinalização horizontal deve ser de fácil percepção, ser uniforme, visível e legível. No entanto, não é isso o que ocorre em algumas vias de Londrina. O porteiro Paulo Roberto Santos Almeida, que trabalha na avenida Madre Leonia Milito (zona sul), conta que uma antiga faixa de estacionamento foi suprimida e substituída pela sinalização de ciclovia. "Mas com o tempo a tinta preta foi saindo e a sinalização antiga voltou. Agora aparenta que tem uma vaga de estacionamento, embora a faixa amarela indique que é proibido estacionar. A gente tem ouvido reclamações de muitos motoristas que têm recebido multas aqui", aponta. No local, as pinturas de divisão das faixas da pista também ficaram confusas com a mistura da pintura antiga com a nova.
No cruzamento das ruas Pedro Botelho de Rezende e Ulisses Rodrigues da Silva (zona sul), há um sinal de "Pare" em lugar errado, pois ele é dos tempos em que a via recebia o fluxo da PR-445, quando a rodovia estava em obras. "Essa sinalização pode até confundir os motoristas. Aqui deveria ter um obstáculo, porque o pessoal passa em velocidade muito alta, a 90 km/h ou mesmo 100 km/h e essa sinalização errada pode atrapalhar", afirma o autônomo Olívio Opusculo de Campos, que mora nas proximidades.
Em 2012 o trânsito na rua Senador Souza Naves (área central) foi alterado a partir da rua da Canoagem, nas proximidades do Circo Funcart, para sentido único, mas a pintura amarela dividindo a pista permanece, já que a tinta preta que havia sido aplicada já está quase totalmente apagada. O resultado disso é confusão: a reportagem chegou a presenciar um motorista trafegando na contramão.
"O ideal é que a sinalização fosse correta, pois para quem é de fora e não conhece pode atrapalhar. Eu vejo isso em outros lugares, como na rotatória da avenida Ayrton Senna ou na PR-445, mas essa é apenas uma entre muitas coisas do trânsito de Londrina que precisam ser melhoradas, como o excesso de velocidade e a educação do motorista", afirma o economista Conrado Mayr de Araújo.
Há quem aponte que a sinalização antiga deve ser removida por meio de lixas ou com uma outra cobertura asfáltica, já que a sinalização recoberta fica escorregadia. Carlos Alexandre Doloveti realiza entregas de motocicleta e conta que já escorregou sobre a pintura preta de uma faixa de pedestres que teve o seu local alterado.

LIXA
O especialista em trânsito Sérgio Dalben, que já foi diretor de trânsito da CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização), destaca que o problema é antigo. "As tintas para finalização da sinalização horizontal são diferenciadas e duram mais do que as outras. O poder público, quando faz a aquisição das tintas, esquece de programar a aquisição de um tipo de material que possa cobrir essas tintas no caso de alteração viária", aponta.
Ele explica que o ideal seria lixar a tinta anterior e passar uma tinta forte o suficiente para penetrar o asfalto. "Se não tem o material que cubra definitivamente a sinalização anterior, tem que ter algum mecanismo para cobrir a sinalização antiga constantemente", recomenda.
CMTU pretende adquirir máquina para retirar a tinta
O diretor de trânsito da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização, Hemerson Pacheco, afirma que a CMTU já detectou o problema do ressurgimento das sinalizações antigas. "Estamos verificando a possibilidade de compra de uma máquina que faz um clareamento dessa sinalização, com uma escova que funciona como se fosse uma lixa que faz a retirada da tinta. Conforme o orçamento da empresa, pretendemos adquirir esse equipamento em 2018, pois temos percebido que causa desconforto e repetição de sempre passar essa tinta preta", aponta.
Aos que alegam que a tinta preta é mais escorregadia que o normal, Pacheco afirma que isso não é real. "É a mesma tinta utilizada para fazer a pintura da sinalização", aponta. Ele admite que essa tinta é escorregadia quando está molhada, por isso a necessidade de passar em baixa velocidade e com cuidado.
Sobre as pessoas que param na antiga vaga de estacionamento da avenida Madre Leonia Milito, ele reforça que a faixa amarela está lá, determinando a proibição. O mesmo se aplica quando existe placa proibindo estacionar e não tem pintura amarela.
Sobre os veículos que percorrem o trecho da Rua Souza Naves na contramão, Pacheco diz que o problema não é a sinalização antiga. "Há de se ressaltar que existe sinalização nova no local e quem está fazendo essa ilegalidade de circular na contramão faz isso deliberadamente para diminuir percurso. Primeiro colocamos tachão indicando que o motorista não poderia virar à esquerda e os motoristas começaram a passar por cima. Depois colocamos tachinha para sinalizar melhor e o pessoal continuou passando por lá. Decidimos colocar prismas de concreto, e as pessoas acabaram tirando eles para fazer conversão errada. A questão da dupla sinalização causa confusão para quem mora fora da cidade, mas essas irregularidades têm sido cometidas por quem vive aqui e faz isso deliberadamente. O infrator faz o errado e sabe disso", critica.
O mesmo argumento ele aplica para quem continua atravessando no local da antiga faixa de pedestres, próxima da rotatória da rodoviária. "É uma questão de comportamento. Foi pintada uma nova faixa e outro local, mas as pessoas, mesmo com risco, insistem em atravessar no antigo local", aponta. (V.O.)


