O número de mortes por atropelamento em Londrina aumentou 65% em 2005 - um salto de 20 para 33 óbitos na comparação com o ano anterior. Os pedestres já são o grupo que mais morre no tráfego urbano local e representam aproximadamente 45% das vítimas fatais. A morte de ciclistas aumentou 50% no mesmo período - de 6 para 9. Os números fazem parte da estatística da Companhia de Trânsito da Polícia Militar (Ciatran), que é utilizada pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) e Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) para o gerenciamento e planejamento do sistema viário.
Após um período de decréscimo, as mortes no trânsito voltaram a aumentar a partir de 2003: de 65 para 74 no ano passado. O número real pode ser ainda maior, já que os órgãos ligados ao sistema de tráfego não realizam o monitoramento de mortes posteriores durante 30 dias, como orienta o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). Especialistas apontam que a estatística de vítimas fatais pode aumentar de duas a três vezes se houver esse acompanhamento.
O segundo grupo de usuários do trânsito com mais mortes em Londrina são os motociclistas. Em seguida, aparecem os motoristas e passageiros de veículos.
Em relação ao total de acidentes, com ou sem vítimas, houve uma leve redução nos últimos dois anos: de 6.336 para 6.196, o que perfaz uma média de 516 acidentes por mês ou 17 por dia. Já a quantidade de atropelamentos é matéria controversa: a Ciatran/CMTU/Ippul estimam que 276 pedestres foram atingidos por veículos no ano passado, mas o Siate contabilizou 505 atendimentos deste tipo no mesmo período.
A escalada das mortes por atropelamento ocorreu no mesmo ano em que a administração municipal elaborou o ''Plano de Segurança no Trânsito'', que previa ações específicas de valorização e respeito aos pedestres. Entre as medidas, estavam o reforço das sinalizações ''com material antiderrapante e de alta durabilidade'' nas faixas de pedestres; implantação de ''sinalização vertical''; e apoio de ''20 voluntários para realização de blitze educativas nos principais cruzamentos''.
Quando o plano foi anunciado em abril do ano passado, o diretor de Trânsito da CMTU, Álvaro Grotti Jr, declarou à Folha que as ações seriam deflagradas em setembro. ''Dependemos mais de recursos humanos e técnicos que financeiros'', disse na ocasião. Em entrevista concedida nesta semana, Grotti afirmou que a falta de recursos ''atrasou o início da campanha'', que ainda não começou.
A dificuldade em reverter o quadro de violência contra os pedestres pode ser medida pela visão reticente do comandante da Ciatran, tenente Izoel Pavan de Souza. ''O respeito aos pedestres não está dentro da nossa realidade. O Código de Trânsito estabelece que a preferência na faixa é deles, mas o costume é outro. Até os pedestres já estão acostumados com isso'', afirmou.
Além do programa de conscientização sobre a faixa de pedestre, o Plano de Segurança do Trânsito previa a realização de mais três ações prioritárias: a ampliação de 40 para 100 semáforos eletrônicos na região central - visando privilegiar o fluxo de veículos e a segurança dos pedestres; a realização de melhorias em 10 pontos considerados críticos, em razão da ''velocidade praticada, índice de acidentes e volumetria de tráfego''; e instalação de equipamentos eletrônicos para controle da velocidade. Até agora, nenhuma das medidas foi implantada.
A gerente de trânsito do Ippul, Cristiane Biazzono, afirmou que os projetos arquitetônicos dos 10 pontos críticos, elaborados entre 2002 e 2004, são de pequeno e médio portes, não necessitam de desapropriação de terrenos, mas ainda permanecem na gaveta por falta de dinheiro. O Ippul tem mais 60 projetos de melhoria viária que aguardam recursos para serem executados.
Amanhã, na continuação desta reportagem especial da Folha, você vai ver uma entrevista com o diretor de trânsito da CMTU, Alvaro Grotti. Ele faz uma análise sobre o trânsito da cidade e fala sobre a dificuldade de implantar o Plano de Segurança no Trânsito.

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