Sinal verde para a 7 edição da Cincão Fest
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domingo, 04 de dezembro de 2005
Vanessa Navarro<br> Reportagem Local 
''A festa continua'', garantiu ontem pela manhã o organizador da 7 edição da Cincão Fest, na Zona Norte de Londrina, Eros Azulai Ramos. Foi o sinal verde que os responsáveis pelas barracas do evento esperavam para prosseguir com os últimos preparativos antes das 18 horas, horário previsto para o início da feira. O evento está marcado para se estender até o dia 11.
Ramos decidiu contrariar a determinação da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), que revogou anteontem a licença para a realização da Cincão Fest. A Companhia exigiu que o trânsito da Avenida Saul Elkind, palco do evento, fosse liberado no mesmo dia e deu prazo até amanhã para que a estrutura fosse desmontada. A CMTU alegou que os organizadores estavam desobedecendo a lei municipal nº 9.029, de 7 de janeiro de 2003, que colocou a festa no calendário oficial da cidade, determinando que fosse realizada sempre no mês de setembro.
Tendo em mãos o cartaz da edição passada da Cincão Fest, o organizador voltou a questionar por que a CMTU não negou a licença em anos anteriores. ''No ano passado a festa aconteceu em outubro. Quando começamos, em 1998, acontecia em novembro. Não fomos consultados quando a lei foi criada. Como dependemos de empresas privadas, não podemos escolher uma data para o evento'', contestou. ''Este problema está sendo gerado por um fato político, porque não permitimos a exposição de faixas de partidos ou candidatos na festa'', provocou.
Participantes da feira estavam apreensivos ontem. ''Foi um choque (a revogação da licença). Geralmente deixamos tudo pronto na sexta-feira, mas paramos de montar a barraca porque não sabíamos o que iria acontecer'', disse Germira Correia da Silva, representante da Associação de Moradores do Conjunto Parigot de Souza.
''Estamos há quatro meses trabalhando em cima dos produtos que seriam vendidos na feira'', assinalou a presidente do Grupo de Mulheres Arte Colibri (Zona Norte), Rosângela Querino Andrade. A aposentada Carmem Marques, de 70 anos, contou que gastou toda a renda do mês para comprar material para os salgados que pretendia vender.
O diretor de trânsito da CMTU, Álvaro Grotti Júnior, declarou que todos os participantes que celebraram algum tipo de convênio com os promotores da festa seriam notificados individualmente, ainda ontem. ''Entre os participantes, há muitas entidades de caráter social, filantrópico, que têm direito a receber incentivos municipais, mas que poderão perdê-lo caso insistam em continuar irregularmente na feira'', determinou. Grotti assegurou que ''não existem, de maneira alguma, questões políticas envolvidas na decisão''.


