Sinal aberto para o turismo em São Jerônimo
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sexta-feira, 24 de novembro de 2006
Widson Schwartz<br>Especial para a Folha 
São Jerônimo da Serra - Uma pousada, ou ''pequeno resort'', representa o primeiro investimento para o turismo em São Jerônimo da Serra, com altitudes de até 1200 metros, florestas nativas, cavernas e dezenas de quedas d'água. Funcionando desde 2003, a pousada é um indicativo da viabilidade, que o proprietário, Vanoly Acosta Fernandes, supõe tenha sido pressentida já no projeto, o primeiro com tais características a ser incluído no Programa de Geração de Renda e Emprego (Proger), do Banco do Brasil, que financiou a parcela menor, R$ 25 mil a juros de 1,5% ao mês. O custo total do empreendimento chegou a R$ 500 mil.
E há o interesse do poder público, pela primeira vez, desde que a vocação turística do município foi certificada, ainda na década de 90, pelo campus avançado da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O atual prefeito, Carlos Sutil, informou que haverá um portal na Rodovia do Cerne (acesso à cidade) e pretende agir para que se estabeleça o turismo efetivamente. ''Tem a hora'', disse o prefeito, que já providenciou a pavimentação com pedras irregulares de um trecho do acesso à pousada.
Professor de Filosofia na UEL aposentado em 1993, Vanoly Acosta Fernandes tinha em mente, há tempos, ambientar-se na natureza. Após uma viagem-prêmio a Israel e Egito, ele encontrou o lugar desejado e recorreu ao administrador de empresas Walter Pohl, para definir o projeto da pousada. A construção demorou oito anos, de 1995 a 2003, ''até os caingangues, vizinhos, ajudaram''. Vanoly conta que investiu economias, a renda mensal, e até uma herança no projeto. Mas a frequência está correspondendo à sua expectativa em termos de retorno.
Numa área de 23,9 mil metros quadrados, no começo da estrada para Terra Nova (acesso no km 2 da antiga Estrada do Cerne), a pousada ''Caminho das Águas Mansas'' é uma amostra do imenso potencial do município, onde se apregoa a existência de 100 quedas d'água compreendendo - em ordem crescente de magnitude - cascatas, cachoeiras e saltos. Destes, o mais conhecido é o do Rio Tigre, com altura estimada entre 94 e mais de 100 metros; mencionando-se um maior, de 290 metros. Na pousada, há o mapa com as trilhas que permitem chegar às 12 principais quedas, situadas num raio de 20 quilômetros. Os hóspedes podem contratar guias.
A pousada é um belo ''casarão'' avarandado de dois pavimentos, tendo numa das laterais uma faixa de floresta nativa estendendo-se por 800 metros; dentro dela, as nascentes formam um riacho que, já a céu aberto, exibe uma cascata e, mais adiante, piscinas de água corrente, pelo represamento artificial no leito. Numa das margens do riacho, há uma piscina de contornos de pedra, uma cascata artificial e duas piscinas para crianças. Segundo Vanoly, a água é excelente e o ar absolutamente puro. ''Estou vivendo, agora, a prática da filosofia'', diz.
Classificação da pousada: ''3B - boa comida, boa cama e boa água'', o terceiro item inclui os chuveiros. Cardápio: cinco pratos quentes, dois de carnes. Cozinha a cargo de dona Zinhá Moraes, que dá o toque nas sobremesas.
São seis apartamentos acolhendo normalmente 25 pessoas e que podem ser adaptados para mais. Durante retiro espiritual, um apartamento foi transformado em capela. A pousada dispõe de internet e telefone (43-3267-1443).


