Maria Vitória, 9 anos, tem quatro amigos surdos e para poder se comunicar com os colegas de escola, frequenta aulas de Linguagem Brasileira de Sinais (Libras) na igreja do bairro, aos fins de semana, além da oficina semanal com a professora Silvia de Souza, na Escola Municipal Padre Germano Mayer, onde ela estuda, na Vila Nova, em Arapongas.
Destaque entre a turma, ela adora estudar em um colégio que promove a inclusão e considera todos os colegas ''iguais''. Depois de aprender os sinais que indicam as letras do alfabeto, a estudante passou a formar frases e até ensinou parte do que aprendeu ao avô.
''Falo bastante com meus amigos na hora do recreio. Nunca brigamos. Em outras escolas, os alunos não conseguem se comunicar com os surdos'', comenta Maria Vitória do Amaral Parada, avisando que aprender Libras não é nada fácil. ''Ainda me enrolo.''
Para Karime Barbosa, 10, que nasceu surda, estudar na única escola municipal de Arapongas que promove a inclusão de alunos com deficiência lhe garante oralidade. ''Posso conversar com todos os meus amigos'', conta a estudante, que tem como melhor amiga uma ouvinte.
''Nunca me senti excluída, brinco, me divirto e sou feliz com meus colegas, dentro e fora da escola'', confessa Karime, que também se comunica com os pais por meio das palavras, pois eles pouco entendem a linguagem de sinais.
''A família dela incentiva a oralidade, mas ela se comunica por Libras desde os seis anos'', lembra a diretora da Escola Padre Germano Mayer, Cíntia Cristina Persinoto. Ela explica que a inclusão dos deficientes auditivos começou em 2006, com um curso de Libras aberto à comunidade escolar. No ano seguinte, foram abertas oficinas para os alunos, surdos e ouvintes.
Como o curso apresentou resultados positivos, o Município passou a matricular alunos com outros tipos de deficiência na escola, para facilitar o transporte e as sessões de fonoaudiologia. ''Passamos a atender crianças com baixa visão, Síndrome de Down e com transtornos funcionais, que incluem autismo, hipertividade, deficit de atenção, dislexia e Síndrome de Asperger'', recorda Cíntia.
Segundo ela, cada sala de aula tem pelo menos um aluno especial, que é atendido por um professor de apoio especialista. No caso dos surdos, o especialista traduz para a linguagem de sinais o conteúdo explicado pelo professor regente. Alguns alunos também participam de aulas de letramento, no contraturno escolar, para aprender a língua portuguesa escrita. ''Mas Libras é sempre a primeira língua'', reforça a diretora.
Ela recorda que em 2008 os professores participaram de uma pós-graduação na área da surdez e, este ano, de outra na área visual. ''Também participamos de um grupo de estudos em educação especial na Universidade Estadual de Londrina (UEL)'', cita Cíntia, reiterando que houve uma readequação do currículo escolar, que inclui Libras para os surdos e o uso de material concreto para os deficientes visuais.
Entre os 380 alunos do colégio, dez são deficientes auditivos, dois têm baixa visão, cinco sofrem da Síndrome de Asperger, três são disléxicos, além dos alunos hiperativos. ''Nunca tivemos problemas em propor a inclusão nesta escola porque os professores sempre tiveram a mente aberta. Nunca houve preconceito aqui'', garante a diretora.

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