Morder, arranhar ou simplesmente rosnar. Embora muitas pessoas não se atentem para essas reações caninas, elas sinalizam que o animal domiciliado ou semidomiciliado pode ter algum distúrbio comportamental, psicológico ou neurológico, o que pode acabar representando perigo para a família. Isso é o que afirma a professora de clínicas médicas de animais de companhia da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Flavia Navas Padilha.
Para a professora, o desencadeamento da agressividade em cães está relacionado à realização de um condicionamento comportamental inadequado realizado com os animais quando filhotes, já predispostos geneticamente à agressividade.
''Brincadeiras com cabo de força e de ficar pegando no focinho do animal e fazendo ele rosnar estimulam o cão a ser mais agressivo, se ele já tiver essa predisposição'', afirma. ''Raças de cães como o chow chow, sharpei, fila brasileiro, dogo argentino que não adestrados ou adestrados erroneamento para ataque podem se tornar um pouco mais agressivos.''
Segundo a veterinária, animais que sofrem maus tratos são também os que apresentam maior nível de agressividade. ''Eles acabam atacando como um mecanismo de defesa'', esclarece. ''Como também atacam quando estão sofrendo alguma dor e alguém tenta socorrê-los, após um acidente. Ou mesmo quando dois cães estão brigando e alguém tenta separá-los.''
Flavia salienta que demonstração de medo, acuação ou mesmo o rosnar de um cão desconhecido são sinais que antecipam uma possível manifestação de agressividade. Nesses casos, o melhor é se prevenir, mantendo distância. No entanto, ela alerta que cães de algumas raças, como akita, rottweiler, chow chow, fila brasileiro e dogo argentino, são traiçoeiros e, por isso, o melhor é sempre estar atento ao comportamento. ''Eles não latem e nem rosnam antes de atacar, não demonstram nada e por isso todo cuidado é pouco'', enfatizou.
Flavia detalha que distúrbios neurológicos, como lesões no córtex cerebral, ou psicológicos, desencadeados por mimo em excesso, podem favorecer o ataque do animal.
A professora lembra que em caso de mordidas ou arranhaduras é fundamental procurar ajuda. ''Principalmente em casos de mordida as pessoas devem procurar um centro médico para limpar a ferida adequadamente e a vítima tome antibióticos e vacina contra raiva'', orienta. ''E o animal deve ser mantido em observação por dez dias pela Vigilância Sanitária.''
A veterinária recomenda que para evitar dores de cabeça com seus animais domésticos, é fundamental que o proprietário entenda que embora cães e lobos sejam de espécies diferentes, eles são animais com características geneticamente aproximadas; fazem parte de matilhas e necessitam de um líder. ''É preciso impor limites. O cão deve saber quem é o líder da matilha, no caso, quem é o líder da família e confiar nele. Se isso não ocorrer, os papéis se invertem e os cães fazem o que querem, regidos por seu instinto'', destaca.

mockup