Uma manhã decisiva para os 15 bombeiros que pleiteavam um cargo de socorrista no Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma e Emergências (Siate) de Londrina. Principal e último, o treinamento de ontem valeu uma vaga na corporação e quem se deu bem, já começou, hoje mesmo, a prestar serviços nas ruas da cidade.
Foram feitas simulações e cada equipe contou com o trabalho de três bombeiros. Conforme o capitão Wilson Oliveira Paulino, além de atender a uma queda de moto, os bombeiros treinaram os primeiros socorros em caso de queda de plano elevado, capotamento, queda de pára-quedas, atropelamento e agressão. ''O treinamento começou em maio e se algum deles não passar, tem mais uma chance de conseguir a vaga. Senão, só no ano que vem'', informou o capitão Wilson.
Na primeira simulação, os soldados Rodrigo Morande Becker, Wagner Júnior Judar e Odelario Casossolla atenderam uma vítima de acidente de moto, nas proximidades do quartel do Corpo de Bombeiros, na Rua Tietê, Região Central. Eles precisaram isolar parte da Rua Itajaí para iniciar o resgate. Além de controlar o estado de saúde da vítima, que era grave, os bombeiros tiveram de lidar com os transeuntes e motoristas que paravam para ver o que estava acontecendo no local.
''Primeiro eles têm que garantir a segurança do local, da vítima, dos transeuntes e deles mesmos para depois iniciar o atendimento'', ensinou o capitão Wilson. Segundo ele, durante a simulação a equipe perdeu pontos por sinalizar o local de forma incorreta.
''É importante saber lidar com os curiosos porque hoje muita gente pára para ver um acidente, alguns até ligam para a família para contar, tiram fotos com o celular'', assinalou.
Conforme o capitão, o socorrista deve identificar as principais lesões, conter hemorragias, para depois imobilizar a vítima e encaminhá-la ao hospital. Na simulação de ontem, o motociclista teria se chocado contra um poste e caído do outro lado da pista, apresentando fraturas expostas, inclusive do fêmur, uma das mais graves.
''Normalmente a equipe de rua trabalha com dois bombeiros, mas para o simulado estamos usando três, e cada bombeiro precisa obter nota sete para passar'', destacou Paulino.
A equipe dos soldados Becker, Judar e Casossolla conseguiu conter a hemorragia da suposta vítima e também identificar a fratura no fêmur a tempo. ''Eles mantiveram o padrão no atendimento e praticamente salvaram a vítima.''
Depois de passar as informações para a central dos Bombeiros, que fez contato com o hospital mais próximo, os socorristas finalmente colocaram a vítima devidamente imobilizada na ambulância, onde checaram, mais uma vez, os sinais vitais.
Já no quartel, a própria equipe não fez uma avaliação muito positiva do simulado, apesar do capitão ter admitido que eles fizeram um bom trabalho. ''O estresse do momento nos fez esquecer de alguns procedimentos. Deveríamos ter investigado melhor a vítima dentro da ambulância. Apesar de termos tratado as principais lesões na rua, deveríamos ter feito uma investigação mais minuciosa, ter apalpado mais a vítima em busca de mais informações'', declarou o soldado Becker.
Há dois anos atuando como bombeiro em Londrina, ele quer ser socorrista ''porque gosto do contato com a vítima e de fazer um trabalho bem diferenciado do trabalho no caminhão''. Já o soldado Wagner Judar trabalha em Santo Antônio da Platina, Norte Pioneiro, e resolveu fazer o curso para se aperfeiçoar e ''porque falta efetivo na cidade''.

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