Simulação detecta falhas no resgate de vítimas
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segunda-feira, 09 de novembro de 2009
Rosiane Correia de Freitas<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Neste domingo, um vagão de passageiros da Serra Verde Express descarrilhou e tombou próximo a estação Marumbi, no Serra do Mar. Cinco pessoas ficaram feridas gravemente. O acidente, na realidade uma simulação promovida pela América Latina Logística (ALL) para testar o tempo de resposta do resgate, foi às 11h22, quando o trem cheio de passageiros chegava à estação.
Foi a primeira simulação de emergência com trem de passageiros realizada pela empresa. O objetivo era verificar os problemas e erros cometidos no resgate às vítimas para quando houver uma situação real o risco de equívocos seja reduzido. ''A meta é sempre fazer o melhor. Todos os envolvidos no resgate vão sentar para fazer uma avaliação do atendimento e, se for o caso, vamos rever o plano de contingência ou o treinamento das pessoas, ou as duas coisas'', explica Ivana Spir, gerente de Relacionamento Corporativo.
No acidente simulado de ontem, o grande desafio foi o tempo nublado, que impediu o pouso do helicóptero de resgate. O local do acidente, próximo a uma ponte, também foi um fator complicador. Depois de acionado, o Corpo de Bombeiros levou uma hora e vinte minutos para chegar ao local do acidente. Por isso, os primeiros atendimentos ficaram a cargo dos guias da Serra Verde Express, de voluntários do Comando de Defesa ao Meio Ambiente (Conama) e do Grupo Cosmo (Corpo de Socorro em Montanha) - equipe especializada em resgates na Mata Atlântida.
''Já vimos que houve uma falha no atendimento às vítimas com o envolvimento de pessoas sem preparo adequado'', destacou o aspirante Taylor Thomaz, do 6º Grupamento de Bombeiros de Piraquara. ''Mas essa era mesmo a função do simulado, ver onde estão os erros'', completa. Todo o evento foi registrado, o que irá permitir a análise do tempo de resposta das equipes. Para a ALL, que administra a linha, a principal meta era saber como as equipes da empresa responderiam a um chamado de emergência.
A simulação foi planejada pela empresa durante três meses. Um grupo de 56 recrutas do Exército fez o papel das vítimas, uma das quais teve que ser resgatada de um fundo de vale. O trabalho de içamento foi realizado por integrantes do Grupo Cosmo. ''O que fazemos é o resgate da vítima pelo trajeto mais rápido'', explica Anderson Bulgacov, um dos integrantes do grupo.
Além das vítimas em estado grave, a simulação incluiu feridos cujo estado se agravou durante o atendimento. Além disso, parte dos sobreviventes do acidente tumultuou a operação de resgate ao exigir remoção imediata do local. O nível de detalhes da simulação surpreendeu a comissária de bordo Terezinha de Jesus dos Santos, da Serra Verde Express, que teve que atender a uma das vítimas graves durante uma convulsão. ''Não achei que ele estava fingindo. Achei que era de verdade'', comenta.
A simulação terminou por volta das 14 horas. Para Ivana, o trabalho continua para que na próxima atividade o desempenho das equipes seja aprimorado. ''A gente espera que nunca aconteça (um acidente), mas se acontecer, estaremos preparados'', diz. Desde 1997, quando a Serra Verde Express assumiu a operação dos trens de passageiros, nenhum acidente foi registrado no trecho Curitiba - Paranaguá.


