Simulação de referendo diz não ao desarmamento
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 23 de setembro de 2005
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
Ibiporã Um trabalho feito com alunos da Escola Educativa em Ibiporã (14 Km a leste de Londrina) resultou numa simulação do referendo do desarmamento. Durante o dia de ontem, pais, alunos, professores e funcionários da escola participaram da votação em três urnas espalhadas pelo colégio.
Um grupo de alunos organizou a eleição. Para Rafael Carvalho, de 16 anos, do segundo ano colegial, as opiniões são divididas. ''A maior parte tem se posicionado contra o desarmamento'', afirmou, durante a eleição. O resultado mostrou que o estudante estava certo. Do total de 225 votos, 120 (53%) se mostraram contra o desarmamento e 105 (47%) votaram pelo sim. Do total de ''eleitores'', 170 são alunos e o restante pais e professores.
Na opinião da professora da escola, Elisabete Matos Ferreira, o resultado reflete a sensação de insegurança dos estudantes e suas famílias. Segundo ela, durante as discussões os alunos expressaram o medo de ficarem desprotegidos. ''Existe uma preocupação muito grande com a questão da segurança. A conclusão é de que o governo deveria investir mais em outros setores (educação, salários, trabalho), que mudem a situação de violência vivida hoje no país.''
Ela informou que quando a atividade sobre o desarmamento teve início, há dois meses, o número de alunos contrários ao desarmamento era muito maior: 72%. ''Fizemos um trabalho de conscientização e a gente até se surpreendeu com esse resultado'', afirmou. Independente do resultado, Elizabete ressaltou que o trabalho foi importante. ''Só pelo fato de proporcionar o debate, já vale a pena'', afirmou. ''Com as atividades, o interesse dos alunos pelo assunto foi despertando e hoje eles sabem como é a lei e as consequências dela, se aprovado ou não o referendo.''
Os professores realizaram um projeto de discussão sobre o tema durante dois meses, envolvendo os alunos desde o ensino fundamental até o médio. Atividades em sala de aula, palestras e mesa redonda estimularam discussões com representantes do Executivo, deputados e polícias Militar e Federal, além de entidades religiosas, ajudaram a esclarecer as dúvidas dos estudantes.
O referendo no país, que acontecerá em 23 de outubro, é obrigatório e seguirá as mesmas regras que uma eleição normal.


