Quando a gente passa em frente a uma construção civil e vê um operário pendurado a vários metros do chão e sem equipamentos de segurança, teme pela sua vida, chegando a imaginar o risco de uma queda. Desta vez, um rapaz caiu do décimo andar de um edifício em obra. Porém, a pequena multidão não levou nenhum susto, já que desta vez era apenas uma simulação promovida pelo Dia Interno de Prevenção de Acidentes do Trabalho da Construtora Plaenge.
A simulação foi realizada ontem à tarde num edifício de 27 andares, na Gleba Palhano (Zona Sul), mobilizando o Corpo de Bombeiros e a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMT), que orientou o trânsito.
Em Londrina, o Sindicato da Construção Civil não tem dados sobre o número de acidentes no setor, mas para se ter uma idéia, o Brasil gasta anualmente cerca de R$ 8 bilhões com indenizações de acidentes de trabalho.
Embora não fosse um acidente de verdade, os operários de três empreendimentos da construtora que trocaram um dia de trabalho pela conscientização, acompanharam atentamente o resgate do colega. Olhos grudados no décimo andar cerca de 30 metros acima do chão os operários assistiram a ação de dois soldados do Corpo de Bombeiros, que chegaram de rapel ao suposto acidentado.
Auxiliado por dois outros soldados, o pintor Ozias Correia de Oliveira Júnior, 30 anos chegou são e salvo ao chão, mas a simulação ganhou contornos de realidade, tanto que ainda nas alturas o operário dava alguns gritos de medo. ''Foi uma sensação diferente. O perigo não manda recado.''
O gerente de engenharia da empresa, Rogério Pereira Cardoso, afirmou que a simulação tem um efeito maior de conscientização que uma palestra. Sob aplausos, um Ozias mais calmo cumprimentou os soldados como se realmente o tivessem salvados. Talvez porque soubesse o que significa sofrer um acidente de trabalho. ''No ano passado, eu trabalhava no quarto andar de um prédio, quando o balancinho quebrou'', lembrou Ozias.

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