O caso do estudante universitário Osíris Del
Corso, 22 anos, morto em uma trilha na Praia dos Amores, no Morro do Boi, em Caiobá (Litoral do Estado), chocou a sociedade por sua crueldade. No dia 31 de janeiro deste ano, ele foi baleado quando tentava defender a namorada, de 23, de um estupro. Na ocasião, ela também foi baleada. Como sobreviveu aos tiros, foi encaminhada de Paranaguá para Curitiba de helicóptero. Entre os profissionais da saúde que a receberam no hospital estava o enfermeiro Pierre Julian. A adrenalina daquele dia de trabalho ele compara com a sentida ontem, durante uma simulação de parada cardiorrespiratória realizada no Hospital Vita Curitiba.
Assim como a estudante chegou naquele dia, o treinamento trouxe em um helicóptero um paciente que simulava intoxicação por cocaína. Na simulação, há o agravamento da intoxicação e o caso evoluiu para uma parada cardiorrespiratória. Durante os seis minutos – tempo necessário para que uma pessoa nessa situação seja salva sem sequelas ou comprometimento da sobrevida – uma equipe de 10 pessoas, formada por enfermeiros e médicos, mostrou como é o procedimento nesses casos. A demonstração fez parte das atividades da Semana da Enfermagem, realizada pelo hospital para comemorar o Dia do Enfermeiro.
A simulação foi transmitida para um auditório lotado de profissionais. Um mesa redonda discutiu a importância e o papel do atendimento. Para a enfermeira-chefe do Pronto-Socorro do Vita, Débora Sourient, a importância da simulação está em manter a constante atualização dos profissionais, desenvolvendo a equipe médica para atuar em situações inesperadas, como a de uma parada cardiorrespiratória. "A simulação tem tanta adrenalina quanto um atendimento real", compara o enfermeiro Pierre Julian.
Para quem vê de fora, como no caso da transferência da namorada de Osíris Del Corso, talvez não mensure a importância do enfermeiro nos procedimentos de saúde. É o que acredita Julian. Ele, que trabalha com enfermagem há oito anos, diz que a profissão faz a conexão entre outros serviços, como o do médico ou do laboratorista que realiza os exames. Julian é um dos 3.793 enfermeiros de Curitiba, de acordo com o Conselho Regional de Enfermagem do Paraná. No Estado, são 12.139 profissionais. Esse número ultrapassa os 60 mil se forem considerados técnicos e auxiliares de enfermagem.

Versatilidade e técnica

Na profissão de enfermeiro, a linha entre a vida e morte é tênue. Para driblar essa barreira, Julian diz que é preciso versatilidade, além de saber dosar humanismo, técnica e conhecimento científico. "Em alguns momentos tem que ser frio. Não deixar o sentimento interferir no procedimento", explica. "Para ser enfermeiro é preciso gostar, pois se trabalha muito e se ganha pouco. Além disso, o enfermeiro cuida do ser humano em seu Estado mais sensível. É uma peça essencial no sistema de saúde", define a si mesmo e os companheiros de profissão, no dia deles.

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