Simulação comemora o Dia do Enfermeiro
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terça-feira, 12 de maio de 2009
Thiago Alonso<br> Equipe da Folha 
O caso do estudante universitário Osíris Del
Corso, 22 anos, morto em uma trilha na Praia dos Amores, no Morro do Boi, em Caiobá (Litoral do Estado), chocou a sociedade por sua crueldade. No dia 31 de janeiro deste ano, ele foi baleado quando tentava defender a namorada, de 23, de um estupro. Na ocasião, ela também foi baleada. Como sobreviveu aos tiros, foi encaminhada de Paranaguá para Curitiba de helicóptero. Entre os profissionais da saúde que a receberam no hospital estava o enfermeiro Pierre Julian. A adrenalina daquele dia de trabalho ele compara com a sentida ontem, durante uma simulação de parada cardiorrespiratória realizada no Hospital Vita Curitiba.
Assim como a estudante chegou naquele dia, o treinamento trouxe em um helicóptero um paciente que simulava intoxicação por cocaína. Na simulação, há o agravamento da intoxicação e o caso evoluiu para uma parada cardiorrespiratória. Durante os seis minutos tempo necessário para que uma pessoa nessa situação seja salva sem sequelas ou comprometimento da sobrevida uma equipe de 10 pessoas, formada por enfermeiros e médicos, mostrou como é o procedimento nesses casos. A demonstração fez parte das atividades da Semana da Enfermagem, realizada pelo hospital para comemorar o Dia do Enfermeiro.
A simulação foi transmitida para um auditório lotado de profissionais. Um mesa redonda discutiu a importância e o papel do atendimento. Para a enfermeira-chefe do Pronto-Socorro do Vita, Débora Sourient, a importância da simulação está em manter a constante atualização dos profissionais, desenvolvendo a equipe médica para atuar em situações inesperadas, como a de uma parada cardiorrespiratória. "A simulação tem tanta adrenalina quanto um atendimento real", compara o enfermeiro Pierre Julian.
Para quem vê de fora, como no caso da transferência da namorada de Osíris Del Corso, talvez não mensure a importância do enfermeiro nos procedimentos de saúde. É o que acredita Julian. Ele, que trabalha com enfermagem há oito anos, diz que a profissão faz a conexão entre outros serviços, como o do médico ou do laboratorista que realiza os exames. Julian é um dos 3.793 enfermeiros de Curitiba, de acordo com o Conselho Regional de Enfermagem do Paraná. No Estado, são 12.139 profissionais. Esse número ultrapassa os 60 mil se forem considerados técnicos e auxiliares de enfermagem.
Versatilidade e técnica
Na profissão de enfermeiro, a linha entre a vida e morte é tênue. Para driblar essa barreira, Julian diz que é preciso versatilidade, além de saber dosar humanismo, técnica e conhecimento científico. "Em alguns momentos tem que ser frio. Não deixar o sentimento interferir no procedimento", explica. "Para ser enfermeiro é preciso gostar, pois se trabalha muito e se ganha pouco. Além disso, o enfermeiro cuida do ser humano em seu Estado mais sensível. É uma peça essencial no sistema de saúde", define a si mesmo e os companheiros de profissão, no dia deles.


