Curitiba - Duas pesquisas inéditas sobre células-tronco estão sendo divulgadas no III Simpósio Internacional de Terapia Celular, que acontece até o fim de semana em Curitiba. Uma delas promoveu a diferenciação das células-tronco em células do sangue, atuando na reposição e produção de vasos sanguíneos. A iniciativa poderá ser utilizada no tratamento de doenças cardiológicas, diabetes e pacientes com problemas de circulação. ''Em testes com ratos infartados, a metodologia apresentou uma diferença significativa. Os animais que receberam as células tiveram melhora'', afirma a coordenadora do grupo de pesquisa, Alexandra Senegaglia.
A pesquisadora afirma que o estudo também pode ser realizado com vários tipos de tecido, como os capilares. O trabalho foi desenvolvida por profissionais da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e premiado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular. O outro projeto, também da PUC-PR e coordenado pela pesquisadora Carmem Rebelatto, realizou a diferenciação de células-tronco adultas. Os pesquisadores conseguiram aumentar o processo de diferenciação de células de tecidos musculares e a formação de novos vasos sanguíneos.
O simpósio, promovido pela Associação Brasileira de Terapia Celular, em parceria com a Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) e PUC-PR, reúne 600 cientistas e pesquisadores da Argentina, França, Canadá, Estados Unidos e Brasil. Além dos debates, serão apresentadas mais de 160 pesquisas do País.
Entre os principais debates está o desenvolvimento da primeira linhagem de células tronco embrionárias do País, que possibilita o teste de diferentes doenças, a criação da Rede Nacional de Terapia Celular e de uma possível rede de cooperação entre Brasil e Argentina. A previsão é que a Rede Nacional entre em funcionamento no final do ano e ofereça infra-estrutura para que os grupos de pesquisa atuem em conjunto. Com a integração, os centros de pesquisa terão maior acesso a equipamentos e cursos. O Ministério da Saúde pretende disponibilizar R$ 21 milhões.
O Brasil está muito avançado no estudo da utilização de células-tronco. A afirmação é do pesquisador Paulo Brofman, da PUC-PR. As células-tronco são uma nova alternativa para as doenças sem tratamento ou consideradas incuráveis, como câncer, diabetes, sequelas de derrames e cicatrizes de infarto do miocárdio.
''Estas células se dividem facilmente e se diferenciam, ou seja, se transformam em algum tipo de tecido do órgão danificado. Elas possibilitam a regeneração de órgãos como coração, pâncreas, fígado e pulmão'', explica o pesquisador. Brofman conta que os estudos na área começaram em 1995 e em todo o mundo são realizados diversos projetos sobre os diferentes tipos de células-tronco, a cura de diferentes doenças e as diferentes maneiras de transplante.
O coordenador de Ensino e Pesquisa em Cardiopatias do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional de Cardiologia Laranjeiras, Antonio Carlos Campos Carvalho, apresentou ontem uma pesquisa com células-tronco no tratamento de doenças cardíacas, área em que o Brasil se destaca. A proposta é combater as quatro principais doenças cardíacas: Doença de Chagas, isquemia crônica, infarto e inchaço do coração.

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