Simpósio discute resgate da humanização
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sexta-feira, 21 de maio de 2004
Adriana Savicki<br> Reportagem Local 
Um sorriso, contato físico, chamar as pessoas pelo nome, em suma, um atendimento em que as relações entre paciente e atendentes são tão priorizadas quanto a qualidade do serviço prestado em exames e consultas. O conceito é simples mas aplicar isso no atual sistema, que reduz pessoas às suas doenças, está longe de ser uma tarefa fácil. A humanização do atendimento hospitalar foi um dos assuntos discutidos ontem no II Simpósio Internacional de Bioética, realizado em Londrina.
''É um resgate do médico que sentava no sofá e olhava nos olhos do paciente e, por falta de especialistas, era também o psicólogo, o assistente social e o terapeuta'', exemplifica o pediatra e superintendente do Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo, Giovanni di Sarnno, cujo trabalho pioneiro baseou boa parte do modelo de humanização do SUS.
Um bom exemplo da mudança de postura que ele aponta como marco no trabalho desenvolvido no hospital foi a derrubada do balcão de atendimento. ''Foi uma revolução, o balcão era um lugar envidraçado onde o paciente era atendido por um buraquinho e nem via ninguém e, para piorar, existia um cartaz informando que insultos contra funcionários públicos infrigiam determinada lei'', relembra. O hospital chegou a fazer um estudo para convencer os funcionários que o vidro não diminuía o risco de contaminação.
Para implantar o tratamento humanizado, segundo o especialista, a participação dos funcionários é fundamental. ''A humanização é também tem que funcionar em relação ao funcionário e hospital'', diz. Cursos, planos de cargos e uma filosofia de valorização do trabalho foram implantados para incentivar a mudança das práticas de atendimento.
O sistema também não se resume no contato com paciente e se amplia para sociedade. Ele implantou, por exemplo, uma democratização das contas e receitas do hospital, com publicação mensal de balanços e atendimentos. ''Temos que ter transparência em nossos atos'', defende.
Mais que uma postura ética, a humanização é defendida como ferramenta de eficiência. Um projeto que amplia o horário de visita a família pode ficar o dia inteiro com o paciente reduziu o tempo de internação. ''Nós temos melhores resultados em tudo, com menos funcionários realizamos mais cirurgias que nos anos anteriores'', exemplifica.
Para ele, a mudança de postura não é mais um opção mas uma exigência. ''Com a elaboração do Estatuto do Idoso, da Criança e outras inciativas, o público, de modo geral, está mais consciente de seus direitos e muito mais exigentes; hoje se não fizermos isso vamos presos'', comenta.
O Simpósio de Bioética, promovido pela Santa Casa de Londrina, também abordou questões como cidadania, contaminação ambiental e humanismo. Segundo a coordenadora do evento, irmã Elvira Maria Perides Lawand, o objetivo do hospital em organizar o evento é ampliar a discussão. ''Desde a existência da Santa Casa sempre prezamos pelo resgate do humanismo no atendimento, é uma filosofia de trabalho que precisa ser discutida'', explica. O evento atraiu aproximadamente 500 pessoas.


