Marcos BorgesFalta reciclagemO consultor Roberto Cysne: falhas mais comuns no atendimento hospitalar são provocadas pelo setor de RH Profissionais da saúde de Londrina se reúnem até amanhã no parque Governador Ney Braga (zona oeste) para o 1º Simpósio da Qualidade Total na Área Hospitalar. A abertura foi ontem à noite com a palestra do consultor, auditor e conferencista de qualidade, Roberto Cysne, sobre gerência e implantação de um sistema de qualidade.
Cysne defende que a deficiência nem sempre é do médico ou da enfermeira quando ocorre um problema no atendimento. ‘‘Em geral um deles é imediatamente crucificado, mas a falha quase sempre está na administração’’, diz. A deficiência, de acordo com ele, é do departamento de recursos humanos, que deveria se preocupar mais com o desenvolvimento da equipe.
O consultor, que é pioneiro na implantação de qualidade em ambiente hospitalar, responsável por dezenas de certificações, cita seis fatores que estão diretamente ligados ao bom atendimento ao paciente durante a rotina diária da equipe médica. O primeiro da lista dos ‘‘seis emes’’, como Cysne denomina, é a mão-de-obra. ‘‘O médico, a enfermeira são qualificados porque passaram por uma faculdade. Mas eles são reciclados, certificados? Não. Isso é administração, RH’’.
Máquinas são outro ‘eme’. Cysne questiona, para exemplificar, a manutenção dos equipamentos. E ele mesmo responde: ‘‘Não existe’’. O meio ambiente hospitalar é outro fator negativo no sucesso do atendimento, segundo Cysne. ‘‘O Centro de Controle de Infecção Hospitalar - CCIH -, o chamado plano de bio-segurança, não opera bem’’, afirma. Outro problema, citado pelo consultor, são os materiais disponíveis nos hospitais. Ele afirma que muitas vezes, os hospitais selecionam os medicamentos pelo preço enquanto deveriam avaliar os fornecedores dentro de especificações bem cumpridas. ‘‘Economiza-se na compra, mas depois gasta o dobro no retrabalho com o paciente’’, analisa.
A lista é encerrada com medições e métodos. ‘‘Será que os aparelhos que fazem medições no paciente (como aparelhos de pressão) estão aferidos e calibrados ou os ponteiros são mentirosos? Toda a decisão vem dos números fornecidos por esses aparelhos.’’ A metodologia de trabalho, segundo ele, fica, geralmente, por conta do próprio médico ou enfermeiro. ‘‘A equipe precisa ser modernizada e toda a metodologia precisa ser disponibilizada a todo corpo médico’’, orienta.
Cysne afirma que a introdução do programa de qualidade total em um hospital não vai acabar com os problemas de superlotação nem com a má remuneração e atraso no pagamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Mas, ressalta, o paciente poderá ser atendido por uma equipe médica com suporte. ‘‘Hoje isso não existe na maioria dos hospitais’’, lamenta. ‘‘Muitos hospitais dizem que têm 0,1% de falha. Isso não significa qualidade a contento de quem paga pelo serviço.’’ Cysne defende que tudo o que se investe para a qualificação de um hospital tem que retornar em quantias maiores. ‘‘Quando o projeto de qualificação é bem feito não se gasta nada’’, argumenta.
Dentro do simpósio, hoje os hospitais locais vão conhecer a experiência dos hospitais Dr. Paulo Sacramento, de Jundiaí (SP) e do Moinhos de Vento, do Rio Grande do Sul, mais avançados no processo de qualificação interna.

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