Simpósio discute efeitos do leite na vida adulta
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 10 de agosto de 2007
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
O comitê de Aleitamento Materno (Calma) da Secretaria de Saúde de Londrina organizou, ontem, um simpósio que contou com a participação do pesquisador João Aprígio Guerra de Almeida, coordenador da Rede Brasileira e Latino Americana de Bancos de Leite Humano da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
O evento aconteceu no Cine Com-Tour, Zona Oeste, e reuniu profissionais do setor de saúde de Londrina e região. Pela manhã, especialistas discutiram o tema ''Amamentar é Fácil''. Hoje, o Município conta com um Banco de Leite que funciona no Hospital Universitário e um posto de coleta de leite, que fica na Maternidade Municipal. A Sercomtel lançou um cartão telefônico sobre o tema.
À tarde, o pesquisador da Fiocruz João Almeida discutiu as propriedades funcionais do leite humano e as influências do desmame precoce na vida adulta. Para Almeida, o leite materno é um alimento inteligente, que modula o metabolismo humano com reflexos na saúde pela alimentação.
No entanto, segundo o pesquisador, mais do que discutir os benefícios que o leite humano traz à saúde da criança, o desafio atual da pesquisa, e também da sociedade como um todo, é buscar os efeitos que o alimento traz a longo prazo.
''Para os mamíferos, a amamentação é biologicamente determinada, e para os humanos, é também socioculturalmente condicionada e hoje, o condicionamento social se sobrepõe à biologia'', explicou.
Como questionou Almeida, se o aleitamento exclusivo é importante e recomendado até o sexto mês de vida do bebê, por que, então, a licença maternidade só dura quatro meses? ''Esse é apenas um dos milhares de exemplos que devem ser discutidos e que não o são porque, talvez, nem os próprios legisladores conhecem o potencial do leite materno'', completou o pesquisador.
Segundo ele, cabe à mídia transformar esta realidade, informando não só as mães, como toda as esferas da sociedade. ''O aleitamento materno não é uma questão de saúde pública, mas de exercício da cidadania'', disse.
Para Almeida, se os legisladores soubessem que o leite humano, que deve ser oferecido à criança até os seis meses de idade, potencializa o quociente de inteligência (QI) na vida adulta, ''eles investiriam mais na infância para criarem adultos mais inteligentes''.


