Londrina - Toda a família, amigos e profissionais da saúde podem ajudar a mulher na amamentação. Esse é o principal recado que deve ser repassado à sociedade para que os bebês recebam exclusivamente o leite materno, pelo menos até os seis meses de vida.
Para que essa mensagem seja transmitida de forma clara e bem orientada, os profissionais da saúde em contato com as futuras mães devem estar bem preparados. Essa é a visão de Lilian Consolin Poli de Castro, coordenadora da Saúde da Criança e Aleitamento Materno da Secretaria Municipal de Saúde; do Comitê de Aleitamento Materno de Londrina (Calma) e também do "9º Simpósio de Aleitamento Materno de Londrina e Região: apoio às mães que amamentam – próximo, contínua e oportuno".
O evento foi realizado ontem e reuniu cerca de 300 profissionais entre médicos, enfermeiros, técnicos e estudantes da área da saúde. "O objetivo é sensibilizá-los e capacitá-los para que possam prestar a melhor assistência às mães que estão amamentando", diz.
Entre palestras e mesas-redondas, o simpósio contextualizou os direitos da mulher, os programas de proteção e apoio ao aleitamento materno e medidas legislativas em relação à concessão de intervalos para amamentação durante a jornada de trabalho. "O secretário de Saúde (Francisco Eugênio Souza) publicou uma portaria no mês de abril, que garante isso às servidoras públicas lactantes, lotadas na Autarquia Municipal de Saúde. Nosso objetivo e luta agora é para que isso se estenda a todas as servidoras", afirma Lilian.

Volta ao trabalho
Para a nutricionista e consultora estadual da área técnica da Saúde da Criança e Aleitamento Materno do Ministério da Saúde, Carolina Belomo de Souza, a promoção de salas de apoio e amamentação é uma das estratégias. "Hoje, muitas mulheres voltam ao trabalho a partir do quarto mês de vida do bebê. O Ministério da Saúde está para assinar um termo de compromisso com o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão para a implantação dessas salas nas empresas estatais", adianta. Carolina cita uma pesquisa em que estima-se que 25% das mães que voltam ao trabalho param de amamentar.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), apenas 38% das crianças no mundo são amamentadas exclusivamente com leite materno nos seis primeiros meses de vida. A meta é elevar a taxa mundial em pelo menos 50% até 2025. Ao direcionar essa estimativa para Londrina, a coordenadora do simpósio afirma que os dados de 2010 revelam que 40% dos bebês são alimentados apenas de leite materno até o 6º mês de vida. "É preciso resgatar a cultura da amamentação. Esse papel não depende apenas dos profissionais, mas de toda a família, estimulando e reconhecendo a importância desse ato", declara.
Além de favorecer a relação afetiva entre a mãe e o bebê, na amamentação o bebê recebe os anticorpos da mãe para proteção contra diarreia e infecções, principalmente as respiratórias. Os benefícios também se ampliam em relação ao risco de alergias, colesterol alto, diabetes e obesidade.

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