Já foi o tempo de guardar engradados de refrigerante e cerveja retornáveis debaixo da pia, de usar grandes sacolas coloridas para acomodar as compras, de reaproveitar as embalagens de vidro como potes, como faziam nossas avós. Sinônimo de praticidade, o descartável tomou conta da rotina: nas festas, ninguém mais quer lavar louça e os pratos, copos e até talheres de plástico enchem os lixos, também forrados por grandes sacos plásticos pretos. Tudo reciclável, mas perfeitamente desnecessário.
E a mentalidade prática, e um tanto preguiçosa, favorece o desperdício, que influencia diretamente no cuidado com o meio ambiente. Mas há uma saída, ou melhor, existem várias, e não é preciso ser nenhum gênio para descobrir que preservar a natureza ajuda a conservar a saúde e o dinheiro no bolso.
Emi Fugissi Shimamura é psicóloga e acupunturista. Casada, mãe de três filhos, resolveu mudar o estilo de vida da família há cerca de cinco anos, a começar pela alimentação. Carne vermelha, doce, refrigerante e bebida alcoólica só de vez em quando. No dia-a-dia, muito peixe. Verduras, legumes, frutas, ovos e carne de frango só orgânicos e o pão é integral e feito em casa.
Os banhos são controlados e toda a água utilizada para lavar a roupa é reaproveitada na limpeza do quintal e de panos e tapetes. ''Reduzi o consumo de água pela metade'', garante Emi, que passou a consumir de maneira consciente como forma de prevenção. ''Comecei a comer orgânicos pela saúde, para evitar problemas futuros e a partir daí me dei conta de que estava contribuindo para o meio ambiente de alguma forma e resolvi continuar'', justifica.
Mais de 60% do que a família consome é produzido sem uso de agrotóxicos, até mesmo o arroz, o feijão e a farinha. Segundo ela, a família aderiu à radicalidade proposta pela matriarca. ''No começo é mais difícil, mas a mudança foi gradual e não teve grandes sofrimentos.''
''Depois que entrei nesse movimento, meu consumo diminuiu bastante, tem mais qualidade. Antes gastava muito em todos os aspectos, percebo claramente que comprava por impulso'', confessa Emi.
''Por um tempo fui muito radical, até cheguei a buscar alimento orgânico a 150 quilômetros de distância de casa'', conta Emi, que hoje se define mais equilibrada e feliz. ''Uso tudo com cautela. Quando tem festa, compramos o melhor bolo, tomamos refrigerante. Faço a vontade dos filhos, mas se ninguém pede, ficamos até um mês sem doce ou carne vermelha.''
Filosofia
Depois de trabalhar com produção de eventos por mais de duas décadas, Rosana de Andrade resolveu mudar radicalmente de vida há três anos, e adquiriu uma loja de produtos orgânicos em Londrina. ''Resolvi transformar a minha filosofia de vida em negócio'', justifica.
Rosana conta que o consumo consciente sempre foi um lema de família. Com os pais ela aprendeu a escovar os dentes com a torneira fechada e a picar as verduras e legumes antes de lavá-los. Já para os filhos, ela ensinou a importância do consumo de produtos orgânicos não só na alimentação como nos cuidados pessoais e na limpeza da casa.
Segundo Rosana, consumir de forma consciente é uma questão de escolha e envolve atitudes diárias. ''Pratico uma conscientização real, que vem de dentro para fora e por fazer diferente consigo influenciar alguns familiares, amigos e até o ambiente de trabalho'', comenta.
Ela ensina que não é preciso abandonar o conforto para contribuir com um mundo melhor. ''É só analisarmos de onde vêm os produtos que compramos. Eu, por exemplo, valorizo primeiro o que é de Londrina, em seguida da região, do Paraná e só depois dos outros Estados.''

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