Começar o ano novo com o pé direito é preocupação de maioria dos brasileiros durante a festa do réveillon. Poucos levam a sério as superstições e simpatias populares dessa época, mas quase todos recorrem a pelo menos uma delas na esperança de garantir boa sorte para o novo ano.
Nessa hora, vale relembrar aquelas crendices sem origem definida, repassadas por avós e mães através das gerações. O uso de roupas de cor branca ou em tons claros é provavelmente o costume mais difundido e praticado nas festas de final de ano. Entre as mulheres, a tradição reza que o uso de roupas íntimas novas, principalmente calcinhas, pode atrair felicidade no amor, dinheiro ou saúde.
A comida é um dos fatores mais importantes para a atração de boas energias, segundo os supersticiosos. O barulho da champanhe aberta nos primeiros segundos do ano é talvez um dos sons mais ouvidos na noite da virada. Comer frango, peru ou qualquer outra ave que cisca para trás é desaconselhado pela tradição, já que acabaria fazendo a vida da pessoa também andar para trás. Comer lentilhas, costume difundido pelos alemães, significa para muitos atrair dinheiro e boa sorte nos negócios.
As uvas são outro ingrediente citado pela maioria como indispensável na mesa da festa de réveillon. A única dúvida é a quantidade recomendada para consumo. Alguns dizem que comer 12 bagos de uva garante sorte o ano todo. Outros falam em sete.
Prefeito eleito O novo prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi, inova, planejando comer três uvas na virada do ano. Taniguchi é um exemplo dos que preferem não correr riscos com a sorte. Ele pretende recorrer a todas as crendices mais comuns na esperança de garantir bons fluidos para seu primeiro ano à frente da capital paranaense. ‘‘Vou fazer tudo o que tenho direito - colocar folha de louro na carteira, jogar champanhe para cima deixando um pouco para o santo e vestir branco’’, diz, explicando que faz isso ‘‘por tradição’’.
Concordando com Taniguchi, a escritora Alice Ruiz também evoca a tradição para explicar porque faz questão de seguir os costumes populares no ano novo, mesmo não sendo exatamente uma pessoa crédula. ‘‘Não sei se funcionam ou não, o importante não é o efeito mas o ritual’’, afirma Ruiz, que vai passar o réveillon em São Paulo.
Já o vocalista da banda curitibana Beijo aa Força, Rodrigo Barros, diz que como ateu e pessimista convicto, não pretende fazer nada de especial para atrair sucesso no ano que vem. Barros só se trai quando lembra que seu pai, baiano, talvez lhe influencie a tentar pedir proteção aos santos. ‘‘Se estiver perto do mar, devo molhar os pés na água, obedecendo ao meu lado baiano’’, diz.
Para a taróloga Jussara Graciano, é natural que as pessoas procurem fazer um balanço de suas vidas no final de ano e tentem iniciar o próximo atraindo energias positivas. ‘‘Todo mundo sempre joga muitas expectativas para o ano que vem’’, diz ela. Depois de dez anos trabalhando com tarô, Jussara diz que os brasileiros estão deixando de lado as superstições mais comuns para se preocuparem com sua espiritualidade. ‘‘Hoje mesmo atendi uma moça que disse que vai usar roupa preta no réveillon’’. O que importa não é a cor recomendada pela tradição mas aquela em que a pessoa se sente bem, defende.

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