Símbolo de uma mobilização contínua
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sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Widson Schwartz <br> Especial para a FOLHA 
''Um grupo de pessoas de relevante conceito social reuniu-se a semana passada e sob a presidência do sr. Arthur Thomas assentou a fundação de um hospital de caridade nesta cidade'', informou o semanário Paraná-Norte em 16 de fevereiro de 1936. Eis a origem da Santa Casa de Misericórdia de Londrina, realidade física com a inauguração, em 7 de setembro de 1944, do que viria a ser apenas o primeiro bloco de uma obra em expansão até hoje, 68 anos depois.
No livro ''A Santa luta da nossa Casa'', editado pela própria instituição e que será lançado dia 15, às 19h30, no Museu Histórico, José Antônio Pedriali dá créditos à extensa bibliografia e acrescenta entrevistas e documentos inéditos, ampliando substancialmente a história com fatos certificados.
Entre 1936 e os primeiros anos 40, há os surtos de febre amarela silvestre, tifo e malária, fazendo vítimas às dezenas, somando-se àquelas de acidentes no desbravamento. ''Jovens morreram como moscas'', relatam em ''crônica'' as irmãs de Maria de Schöenstatt atuando no hospital da CTNP. Memória viva e personagem do livro aos 82 anos, Omeletino Benato e outros moleques espreitavam o hospital: ''Esperávamos horas e horas, até a saída do caixão. Era um espetáculo sombrio, mas irresistível''.
A cronologia se estende da ''mobilização de toda uma comunidade'', para salvar vidas nos primórdios da cidade, ao hospital de alta complexidade no presente. Por extensão, é a história da Medicina, da Enfermagem e da Assistência Social em Londrina, ''pois a Santa Casa foi a destinatária (...) dos esforços nesses campos''. A construção do hospital permitiu à Associação Médica de Londrina (AML) promover palestras, demonstrações cirúrgicas e congressos já nas décadas de 40 e 50.
Antes de fazer o primeiro transplante de coração no Brasil (1968), Euryclides Zerbini compareceu à Santa Casa, em 1956, para uma palestra e aula prática com uma cirurgia. Hospital-escola da Faculdade de Medicina, de 1967 a 1971, a Santa Casa volta a ter a finalidade em 2012, para servir o curso de Medicina da Pontifícia Universidade Católica (PUC), recém-autorizado.
Excelência que se deve a uma mobilização continua, segundo o posfácio de Pedriali: ''Desde a primeira convocatória para a criação da Sociedade Beneficente até hoje, milhares de pessoas contribuiram para viabilizar a Santa Casa e mantê-la em funcionamento''.


