O vestuário é um dos aspectos mais característicos e reveladores da cultura dos povos e suas instituições. Dentre os inúmeros tipos de trajes, o paramento católico ocupa lugar de destaque na história do ocidente - e dos países ibéricos em especial. Batinas, túnicas e estolas, em cores brancas, violáceas, verdes - tudo isso já faz parte do imaginário das pessoas que vão às missas, mas você sabe o que significa cada um desses elementos?
O monsenhor Bernard Gafá, pároco da Catedral Metropolitana de Londrina, explica que há, em linhas gerais, dois tipos de hábitos clericais: os civis e os litúrgicos. Os primeiros são as vestes urbanas, ''para serem usadas na rua, não em celebrações''. No caso dos padres, usa-se a batina, sempre preta, ou a camisa ''clergyman'', e calças compridas.
O segundo grupo de vestimentas é atrelado à litúrgia cristã, ou seja, são as roupas usadas nas missas e celebrações. De forma simplificada, o padre veste: a túnica, que desce do pescoço aos pés; a estola, que é a faixa estendida sobre peito e que passa por trás do pescoço; e a casula, colocada sobre as duas primeiras vestes. A túnica é sempre branca e substitui a batina quando o pároco participa de ofícios. A estola e a casula, sempre nas mesmas cores, podem ser brancas, verdes, roxas e vermelhas - de acordo com o tempo litúrgico.
''O branco significa a pureza e é utilizado nas festas de celebração à santidade, como o Natal e a Páscoa. O vermelho, que representa o sangue, vale para as festas de mártires, como a Sexta-Feira Santa ou a celebração de Santo Estevão - um santo que foi assassinado. O vermelho também simboliza o amor, a paixão, e por isso está presente ainda no Pentecostes'', explica o monsenhor.
''Já o roxo representa a penitência e morte e é usado nas missas de sétimo dia, na quaresma, e no tempo do advento, perto do Natal. Por último, temos o verde, que não é usado para cerimônias especiais, é a cor de cada dia''.
Além das quatro cores ''oficiais'', alguns padres utilizam o tom róseo quando é tempo de comemoração. ''Por exemplo, quando chega o terceiro domingo da quaresma, é domingo de 'alegrai-vos', então usa-se a cor rósea (estola e casula)''.
História
A origem das vestes católicas remonta à antiguidade, quando o uso de túnicas era comum em diversos povos. O monge beneditino, Dom Bento de Souza, do Mosteiro da Ressurreição, em Ponta Grossa, explica que o uso da túnica se consolidou porque foi usado por Cristo. ''Era uma veste comum, certamente a roupa da época. Cristo, pelo que se sabe, usava uma túnica branca. Era uma roupa adequada para enfrentar o calor'', contou.
Os beneditinos são conhecidos pelo esmero com que confeccionam roupas religiosas. Segundo Dom Bento, nos mosteiros antigos sempre havia um monge especializado na costura. Desde a sua fundação, em 1981, o Mosteiro da Ressurreição produz vestes católicas para comercialização e mantém hoje uma loja virtual na internet.
Além da simbologia, o monge explica que a túnica tem por objetivo descaracterizar as curvas do corpo e reduzir a sensualidade carnal. Com a passagem dos tempos, as vestes se diferenciaram de acordo com a criatividade e a constituição das diversas ordens religiosas.
O último grande marco da indumentária religosa foi o Concílio Vaticano 2º, na segunda metade do século XX. Desde então, alguns itens, antes obrigatórios, como a manípula (espécie de pano usado na mão esquerda) ou o amito (tipo de lenço utilizado no pescoço), foram dispensados, assim como o uso de tecidos nobres. Antigamente, as túnicas eram de seda ou linho, mas atualmente são feitas de praticamente todo tipo de tecido.

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