Jair Silva também é acusado de tentar subornar um funcionário do Instituto Médico Legal (IML) de Londrina - o auxiliar de necrópsia José Ademir Codonho - para que fosse comunicado sempre que chegasse uma nova vítima de acidente de trânsito ao órgão. Desta forma, Silva poderia seguir para o instituto e tentaria, junto à família do falecido, pegar os serviços do recebimento do seguro obrigatório.
Segundo o médico legista Antonio Carlos de Queiroz, chefe do IML local, a tentativa de suborno ocorreu no dia 6 de maio do ano passado, às 21 horas. Se aceitasse a oferta, o funcionário receberia R$ 150,00 para cada informação de acidente com morte. Ainda segundo a denúncia, Silva chegou a ameaçar o funcionário diante da negativa dele em aceitar o suborno, insinuando que outros agentes de seguro tinham vantagens no IML local, inclusive com a anuência da chefia do órgão.
Assim que soube do caso, Queiroz tomou o depoimento do funcionário e encaminhou a denúncia ao Ministério Público, pedindo abertura de inquérito policial. O caso foi investigado no 1º Distrito Policial de Londrina. Queiroz conta que, depois da tentativa de suborno, ele mesmo chegou a ser procurado por Silva, que desta vez apenas ‘‘insinuou’’ que o IML estaria favorecendo outros assessores de seguros com informações privilegiadas. ‘‘Gravei a conversa’’, garante.
O chefe do IML local afirma que a abordagem das famílias de vítimas de trânsito, por ‘‘agentes de seguro’’, realmente acontece, mas que isso ocorre fora do prédio do instituto, e nunca dentro. ‘‘São várias pessoas que estão atuando, inclusive advogados. Mas não é competência do instituto investigar. Temos apenas que fornecer os documentos (laudo de necrópsia)’’, aponta. Ele explica que, para retirar o seguro, as pessoas precisam de cópia do laudo de necrópsia.
Queiroz diz também que o IML tem sido rigoroso na liberação dos laudos, justamente para tentar evitar a atuação indiscriminada dos assessores de seguros. Segundo ele, o instituto só libera a cópia do laudo para parentes diretos - marido/esposa, filhos, pai ou mãe - ou então para procuradores devidamente habilitados. Exige ainda requerimento por escrito e cópia da identidade tanto do parente quanto do procurador. A taxa para o serviço é de menos de R$ 5,00 e o documento é fornecido em aproximadamente 30 dias.
Ainda segundo Queiroz, quando parentes de vítimas dos assessores procuram o órgão para reclamar, a orientação é para que façam a denúncia diretamente na polícia. Ele aponta ainda que o instituto não poderia dar uma orientação preventiva às famílias porque, desta forma, estaria fugindo dos objetivos do órgão. A Folha não conseguiu localizar Jair Silva. (L.H.)

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