O mosteiro é delimitado por barreiras que só podem ser ultrapassadas com a permissão da própria abadessa. Algumas sutis, outras nem tanto. As portas de madeira de 2,5 metros de altura do lugar só podem ser fechadas à chave do lado de dentro. O simbolismo não deixa de ser poético. ''Ninguém nos prende aqui. Nós é que nos prendemos'', explica irmã Lídia.
No mosteiro, o jantar é às 18 em ponto. Das 19 às 20, última atividade diária: recreio. ''É quando lemos ou conversamos sobre os mais variados assuntos'', conta a abadessa. ''Os únicos assuntos proibidos são política, esporte e religião'', brinca.
Uma das últimas discussões foram acaloradas com uma dúvida: Maria Madalena foi ou não prostituta? ''Quem defendia a tese de que não era não ganhava chocolate'', brinca mais uma vez a abadessa. Mas bate-papos são raríssimos. Para as monjas contemplativas, o silêncio tem enorme importância. ''Ele nos ajuda a viver integralmente cada momento'', explica Escolástica. E ele ganha mais força ainda no mosteiro Santa Maria, feito de cimento aparente, com cômodos espaçosos e pé-direito alto.
O silêncio é prontamente quebrado por todas quando o assunto é fé. A transformação que se vê nos olhos dessas monjas quando falam de Deus é capaz de impressionar ao mais cético dos homens. ''Essas mulheres têm um equilíbrio interior incalculável'', analisa o teólogo Altemeyer. ''Não existe meia escolha para estar lá. A opção de vida é muito radical. Ou se tem vocação ou não tem.''

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